segunda-feira, 21 de maio de 2012
Arte e Manha
Escondido entre Picoas e Anjos, não é o sítio mais óbvio ao qual podemos ir, mas é garantidamente um dos mais polivalentes, com workshops, eventos musicais e comida, todos os dias algo diferente conforme anuncia o calendário. Podemos ficar no primeiro andar a tomar uma refeição e escutar algum artista que esteja a tocar no pequeno palco, ou então podemos pagar 5€ (ou à volta disso) e descer até uma outra sala, mais recôndita e que só costuma abrir à noite, onde acontecem os grandes concertos e workshops. A situação é um pouco ao estilo Bacalhoeiro, que é outro sítio que tenho de ir documentar.
As fotos que tirei são tão manhosas que dão vergonha, no andar de baixo, devido à escuridão, ficaram completamente tremidas e não sabia se haveria de pôr as más apenas para ilustrar o espaço, mas talvez me fique pelos pormenores luminosos, atiçando assim a vossa curiosidade para conhecer este spot.
E quando digos pormenores luminosos não estou a brincar, tanta iluminação diferente!
Vim cá uma e única vez com a Carolina, o Rodrigo e o Casimiro para ver o concerto de uma moça portuguesa. Gostei imenso, tenho sempre medo de falar em estilo nestes casos, mas aqui roçava o jazz/bossanova, tudo covers menos um original, soube bem, estava tudo sentado em torno do palco e não mexia uma palha, aquela voz é cativante. Pedi um martini (3.50€) e fiquei a apreciar o concerto na linha da frente. A música portuguesa a gostar dela própria, digo-o como afirmação e como sugestão.
E prometo que haverá uma parte II deste local, afinal de contas com tantas actividades nenhum dia será semelhante a qualquer outro, e essas são as melhores saídas.
Horário do espaço:
Quartas a segundas das 11h às 06h
Terça das12h às 15h
Horário da cozinha e ementa aqui:
Almoço: das 12h às 16h
Jantar: das 19h às 03h
Snack-bar: das 08h às 04h
Etiquetas:
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Restaurantes,
Workshops
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Jardim do Torel
Belo jardim do Torel, pérola incomparável de Lisboa, escondida no meio de subidas difíceis que nos põem a arfar como velhinhos, casas lindas cobertas de trepadeiras, edifícios abandonados, muros grafitados e o vislumbre de uma casa episcopal sugestiva cujas escadas da torre mais alta têm um degrau a menos. Gosto deste jardim, é grande, tem fontes, tem espaço para estiraçar na erva e não pensar em nada, tem banquinhos com mesas à frente para piquenique ou para poisar os pés à patrão.
Fiz a escalada toda com a Carolina, num dia talvez um pouco fresco demais, da última vez que cá tinha vindo com a Margarida lembro-me que ao ir embora um cão saltou-me para cima com as suas patas sujas de lama. Eu tinha o meu vestido branco, não muito próprio para um Tarzan Urbano, que ficou, como se diz de forma educada, todo cagado. Nesse momento, fui a diversão dos moços rastas que estavam agrupados por perto, aos quais o cão pertencia.
O jardim tem um café muito simpático, com esplanada (não fosse já este sítio inteiro uma gigante esplanada) e alguns eventos de vez em quando. O único problema é que em termos de comida é um pouco caro e não oferece muita variedade mas o rapaz que me serviu fê-lo com um grande sorriso na cara o que é sempre um motivo para voltar. Reparei ainda que havia gente com computador a trabalhar o que me vez concluir que possivelmente haveria ligação à internet naquele sítio.
Pedi uma salada que para o que custou era completamente somítica e fez-me lembrar a piada dos Gatos Fedorentes sobre o bocadinho de tomate e a folhinha de alface. Os ingredientes era comuns, não justificavam os 6€ (sem ser o salmão que nem era muito) e isso deixou-me um pouco triste. Eram 21h da noite e eles já nem sequer tinham pão para tostas, pergunto-me se a afluência é tão pouca que não justifica encomendarem mais do que uma certa dose de ingredientes para terem por lá. Lembro-me que na vez passada tinha pedido uma salada de frango e até me tinha sabido bem, não percebo.
A Carolina pediu uma limonada (1.50€), e ficámos as duas sentadas lá fora até decidirmos que estava demasiado frio para os trajes que estávamos a usar, altura em que recolhemos.
Outro pormenor interessante em que reparei foi que havia uma pequena escola situada mesmo por baixo do miradouro. Quando espreitamos daquela varanda gigante conseguimos ver um campo de basquetebol e, aqui é que se torna interessante, painéis solares. Não estranhem eu estar tão entusiasmada com isto, sustentabilidade tem sido um grande tema de debate nos últimos tempos e agora solto sempre uma pequena exclamação de contentamento quando enxergo estes fenómenos, ainda por cima numa escolinha no meio de nenhures (se bem que tenho de reconhecer que a situação é boa).
Há também uma casinha ao pé desta chamada "varanda" sobre Lisboa. Não percebi muito bem o que era (fui cuscar pelas janelas), talvez seja um balneário pertencente também à escola. Que senhora escola, pergunto-me se quem aqui anda consegue apreciar devidamente a situação geográfica em que está inserida ou se simplesmente se tornou banal com o passar do tempo, pergunto-me também se isso não nos acontece a todos sem nos darmos conta, vou ter de passar a estar mais atenta a isso, felizmente Lisboa nunca perderá o seu charme.
E por falar em charme, há intervenções urbanas que se revelam pequenos tesourinhos, é impossível resistir, um dia o Tarzan terá os seus próprios autocolantes.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Espaço Tintin
Tenho tido algum trabalho para fazer e ando a pôr estas novas posts fora de horas, embora apareçam seguidas, o dia é o dia em que fui a esses espaços e não aquele em que escrevi sobre eles. Infelizmente com o tempo vai-se um pouco da memória da experiência, e quantas conversas não tive eu que gostava de reproduzir aqui, não melhoraram necessariamente o Mundo, ou se calhar melhoraram, talvez um pequeno mundinho particular de alguém.
Passei pelo Espaço Tintin pela primeira vez quando me dirigia para a Lx Factory depois de ter ido à Culturgest ver um filme do Indie Lisboa, filme estranho esse, estranho também o meu deambulanço nesse dia, apanhei o metro na Avenida de Roma e antes de lá chegar passei ao lado deste café iluminado. Não pude deixar de reparar que estava lá um moço agarrado ao computador, era meia-noite e eu pensei: tenho de cá vir. E depois estive à espera do eléctrico no meio dos bêbados do cais, senti-me um balão no meio de silvas. Bem que podia ter decidido entrar no café.
Este é um sítio que parece maior pela quantidade de mini espaços que conseguiram obter através das diferenças da mobília e da situação em que estão dispostas. Há direita, mal entramos, há um ligeiro degrau de elevação (não sei qual o termo arquitectónico para isto) com 3 ou 4 mesas redondas junto a uma parede recheada de post-its de apreço ao local ou de veneração ao Tintin (tenho de confessar que nunca gostei desta personagem e sempre fui fã fiel e dedicada destes fulanos aqui). Este é o local que apanha mais luz por estar próximo da janela, tem também uma boa visão para o televisor suspenso na parede, o que é uma vantagem em dias de futebol.
À esquerda, também junto à janela/parede de vidro existem duas poltronas pequenas a rodear uma mesa baixa meia marroquina. Este é um sítio mais isolado e parece mais apropriado para pessoas que só querem sentar, conversar e beber qualquer coisa.
Se em vez disso decidirmos olhar em frente, então temos três hipóteses possíveis: descer as escadas ao centro, que nos levam à loja de material Tintin e às casas-de-banho. Contornar as escadas pela esquerda, o que faz com que nos situemos num estreitíssimo corredor junto ao vidro com duas mesas altas e quadradas, com cadeiras a condizer, e também uma pequena estante de cartão com literatura portuguesa que deve fazer parte de um projecto que desconheço, mas que pelos vistes é possível tirar um livro e ficar a ler.
Se contornarmos as escadas pelo lado direito vamos directos ao balcão de pedidos passando pelas mesas rectangulares, mais próprias para refeições ou para estudantes que tenham de fazer um estendal para trabalhar.
Mas ainda não acaba aqui, chegados ao balcão temos ainda um outro local que só abre às 20h da noite: a mezzanine! A essas horas passa a ser possível chegar ao fundo do estabelecimento, virar à direita e subir as escadas, chegando a uma espécie de lounge com mini bar e uma narguila de chicha que pelo que me disseram fica a 5€ para quem quiser (parece barato, pergunto-me se é mesmo este o preço). Os cocktails passam também a estar disponíveis e devem rondar os 5€, o costume.
Já cá vim com a Sara e com a Margarida e das coisas que pedi para comer fiquei bastante bem impressionada. Recomendo a tosta italiana com queijo, fiambre, tomate e azeitonas (3.60€), e também o wrap de queijo fresco, nozes, alface e rúcola que fez com que me iniciasse no mundo dos wraps e ficasse fã (3.50€?). A Sara pediu um gelado em taça com duas bolas (2.10€) e uma tosta igual à minha (e que afirmou que podia ser maior, fica aqui o aviso).
Já para beber não tive tanta sorte, a limonada (1.30€) que pedi estava um pouco estranha, não tinha açúcar e eu tive a ideia infeliz de pôr do açúcar saudável (o escuro) por termos essas duas variantes na mesa. Bem, não tinha a noção que aquilo era bastante menos potente do que açúcar normal e até acertar com a dose (não acertei para dizer a verdade) foi um desatino, pronto, fiquei a saber. O chá frio até me soube bastante bem quando lá fui com a Margarida (e supostamente nem sequer gosto de chá frio), aí já tinha aprendido a lição e tirei logo do açúcar refinado, e o galão (1.40€), bem, não há muito por onde errar num galão!
Outra coisa excelente para trabalhadores dedicados é a abundância de tomadas que este sítio tem, tomadas em todo o lado, uma maravilha, e acesso à internet e horários generosos. É um óptimo sítio para trabalhar, fica é talvez um pouco fora de mão mas ao menos encontra-se perto da paragem de metro. E bem, não deixei cá o meu post-it mas é algo que farei certamente quando voltar.
Passei pelo Espaço Tintin pela primeira vez quando me dirigia para a Lx Factory depois de ter ido à Culturgest ver um filme do Indie Lisboa, filme estranho esse, estranho também o meu deambulanço nesse dia, apanhei o metro na Avenida de Roma e antes de lá chegar passei ao lado deste café iluminado. Não pude deixar de reparar que estava lá um moço agarrado ao computador, era meia-noite e eu pensei: tenho de cá vir. E depois estive à espera do eléctrico no meio dos bêbados do cais, senti-me um balão no meio de silvas. Bem que podia ter decidido entrar no café.
Este é um sítio que parece maior pela quantidade de mini espaços que conseguiram obter através das diferenças da mobília e da situação em que estão dispostas. Há direita, mal entramos, há um ligeiro degrau de elevação (não sei qual o termo arquitectónico para isto) com 3 ou 4 mesas redondas junto a uma parede recheada de post-its de apreço ao local ou de veneração ao Tintin (tenho de confessar que nunca gostei desta personagem e sempre fui fã fiel e dedicada destes fulanos aqui). Este é o local que apanha mais luz por estar próximo da janela, tem também uma boa visão para o televisor suspenso na parede, o que é uma vantagem em dias de futebol.
À esquerda, também junto à janela/parede de vidro existem duas poltronas pequenas a rodear uma mesa baixa meia marroquina. Este é um sítio mais isolado e parece mais apropriado para pessoas que só querem sentar, conversar e beber qualquer coisa.
Se em vez disso decidirmos olhar em frente, então temos três hipóteses possíveis: descer as escadas ao centro, que nos levam à loja de material Tintin e às casas-de-banho. Contornar as escadas pela esquerda, o que faz com que nos situemos num estreitíssimo corredor junto ao vidro com duas mesas altas e quadradas, com cadeiras a condizer, e também uma pequena estante de cartão com literatura portuguesa que deve fazer parte de um projecto que desconheço, mas que pelos vistes é possível tirar um livro e ficar a ler.
Se contornarmos as escadas pelo lado direito vamos directos ao balcão de pedidos passando pelas mesas rectangulares, mais próprias para refeições ou para estudantes que tenham de fazer um estendal para trabalhar.
Mas ainda não acaba aqui, chegados ao balcão temos ainda um outro local que só abre às 20h da noite: a mezzanine! A essas horas passa a ser possível chegar ao fundo do estabelecimento, virar à direita e subir as escadas, chegando a uma espécie de lounge com mini bar e uma narguila de chicha que pelo que me disseram fica a 5€ para quem quiser (parece barato, pergunto-me se é mesmo este o preço). Os cocktails passam também a estar disponíveis e devem rondar os 5€, o costume.
Já cá vim com a Sara e com a Margarida e das coisas que pedi para comer fiquei bastante bem impressionada. Recomendo a tosta italiana com queijo, fiambre, tomate e azeitonas (3.60€), e também o wrap de queijo fresco, nozes, alface e rúcola que fez com que me iniciasse no mundo dos wraps e ficasse fã (3.50€?). A Sara pediu um gelado em taça com duas bolas (2.10€) e uma tosta igual à minha (e que afirmou que podia ser maior, fica aqui o aviso).
Já para beber não tive tanta sorte, a limonada (1.30€) que pedi estava um pouco estranha, não tinha açúcar e eu tive a ideia infeliz de pôr do açúcar saudável (o escuro) por termos essas duas variantes na mesa. Bem, não tinha a noção que aquilo era bastante menos potente do que açúcar normal e até acertar com a dose (não acertei para dizer a verdade) foi um desatino, pronto, fiquei a saber. O chá frio até me soube bastante bem quando lá fui com a Margarida (e supostamente nem sequer gosto de chá frio), aí já tinha aprendido a lição e tirei logo do açúcar refinado, e o galão (1.40€), bem, não há muito por onde errar num galão!
Outra coisa excelente para trabalhadores dedicados é a abundância de tomadas que este sítio tem, tomadas em todo o lado, uma maravilha, e acesso à internet e horários generosos. É um óptimo sítio para trabalhar, fica é talvez um pouco fora de mão mas ao menos encontra-se perto da paragem de metro. E bem, não deixei cá o meu post-it mas é algo que farei certamente quando voltar.
sábado, 12 de maio de 2012
Borda de Água
Provavelmente um dos locais mais agradáveis que descobri para um serão de Primavera. O nome representa-o literalmente: um sítio à borda de um pequeno lago redondo com profundidade mínima, que reflecte a paisagem formando um cenário simétrico e ao mesmo tempo nos transmite, talvez psicologicamente, um pouco da sua frescura.
O café também é simpático, apesar de não ter tirado fotos do interior, tem paredes envidraçadas, chão de madeira e uma espécie de grades a cobrir a esplanada. Está rodeado pelo jardim, e muito próximo do El Corte Inglés (o que já não é assim tão mágico de se dizer).
Não consumi nada mas também não me vieram chatear, a Margarida petiscou ainda qualquer coisa, aproveitei para trabalhar um pouco, mas a vontade que dá é de ficar paralisada a olhar para os reflexos, aquele sentimento petrificador em que a nossa visão se desfoca e ficamos num estado semi-meditativo até um amigo chato qualquer resolver abanar a mão dele mesmo à frente dos nossos olhos para ver se estamos a dormir, ou pior, bater palmas. Mas se calhar sou só eu que tenho destas.
Reparei num cachorro à beira do lago, andava perto de nós com as patas já dentro de água, não sei se procurava qualquer coisa, mas ainda me entreti a olhar para ele. Tudo neste sítio é pacífico, parece um oásis zen no meio da cidade, ao ir embora apetecia-me ir a rebolar pela relva verde como as crianças fazem os chamados "croquetes" na praia, mas não o fiz, até porque toda a gente sabe o que isso pode implicar, ha!
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Café da Gulbenkian
A biblioteca da Gulbenkian é o local onde se refugiam muitos estudantes e gente gira para trabalhar e fazer pesquisa. Tem tudo o que se pode pedir: espaço, uma tomada para cada alma aflita, livros para consulta e um café/restaurante com esplanada ao lado onde podemos descontrair numa pausa do estudo.
A única coisa mais aborrecida é tirarem proveito de estarmos dependentes da biblioteca e aumentarem esponencialmente os preços. Graças a deus o galão ainda se mantém nuns aceitáveis 1.50€, mas mesmo assim não é dos mais baratos para o pequeno tamanho que possui. A sobremesa da Margarida acho que foi cerca de 3€ mas não me lembro bem, uma tacinha mixuruca, da qual provei um bocado (e aprovei). Acho que aqui o dinheiro retira sempre algum valor às coisas. Um galão por 0.50€ acaba por saber melhor do que se custar 4€. Nessa altura vamos estar demasiado indignados com o preço para nos dignarmos a sentir o sabor como deve de ser, não que possa haver muita ciência no galão (e nalguns estabelecimentos continuam a dizer que servem meia-de-leite e não galão, o que nunca percebo muito bem).
Outra coisa que esta história do galão me fez lembrar foi um produto que me tem intrigado bastante: galão em pó, "original", da nescafé. O meu problema com isto é o facto de se fazer juntando o conteúdo da saqueta a leite quente. Ora, mas se o café em pó normal que compramos já podemos juntar com leite quente para fazer um galão, então este galão em pó também se junta com leite quente? O meu cappuccino diário matinal é feito com água, por exemplo. Dá a ideia que é uma espécie de galão inception, ou estão a fazer de nós estúpidos dizendo "junta este café com leite e faz um galão", olha muito obrigada. E o que é que eles querem dizer com "original"? Isso é o mesmo que dizer tosta mista original, não há original! Enfim, adiante.
O café da Gulbenkian tem uma esplanada simpática coberta de guarda-sóis e onde alguns pássaros esfomeados nos vão importunar para conseguirem as nossas migalhas. Este processo envolve por vezes alguns vôos a rasar as nossas carecas e por isso deixo o aviso para serem cuidadosos. Neste serão em particular captei um pardal curioso e uma pomba com ares de que dominava todo aquele sítio, a dona da esplanada a olhar para nós, humanos.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Botequim da Graça
E quando eu pensava que Barcelona ia lá longe, este pequeno bar trouxe-me algumas remeniscências dessa linda cidade espanhola pela qual gastei as pernas. Foram os copos com gelo picado até cima! Iguaizinhos aos que costumavam servir-nos. Cocktails maravilhosos que me fizeram sentir novamente o gosto daquele mojito perfeito que me fartei de beber no bar do Rabipelao. O nosso bar.
Vim com a Carolina à procura de um sítio onde pudessemos sentar-nos a conversar, a noite estava com uma temperatura deliciosa, e não éramos as únicas a achar isso. Bom dia em Lisboa e é ver a Graça a encher-se de almas boémias que ocupam as mesas do miradouro e muitas outras. Bela Lisboa, as palavras nunca são suficientes.
A muito custo estacionámos o carro. E então lá arranjámos uma mesinha no botequim. Pelo sotaque francês da empregada não pude deixar de pensar que todos os cafezinhos que mais gosto se ligam de um certo modo a outras culturas, nomeadamente aos francófonos.
Um passar de olhos pelo quadro das bebidas fez-me ver que eram bastante modestos nos preços e isso fez com que arriscasse duas especialidades de nome sugestivo: Céu de Lisboa e Subitamente no Verão (que apropriado!). O primeiro era uma junção de laranja, Licor Beirão e moscatel, e o segundo levava Vinho do Porto, limonada e hortelã. Tanto estes como outros cocktails que vou mencionar custavam 3.50€. Os outros assinalados no menu eram: o Crioulo (melancia e rum), o Botequim (frutos silvestres e água ardente), a Poncha (tradicional da madeira) e uma versão de Poncha Maracujá (mais cara, custa 4€ mas na altura não havia), as sangrias, uma de espumante e outra de vinho (2.50€), e mais outras bebidas tradicionais que não estavam assinaladas (licores, chás, aguardentes, etc).
A Carolina pediu um chá frio, também em copo grande, que custava 1€. E lá o ia bebericando enquanto despedaçava o plástico da palhinha das nossas bebidas. Eu, apesar das duas bebidas alcoólicas que pedi, pude constatar que o nível de álcool daquelas misturas era de facto bastante reduzido, tinham apenas o suficiente e era muito refrescantes, continuei a sentir-me inalterada, apenas feliz pelo sabor delicioso, bebem-se como um sumo para saciar a sede, e quando acabam, ficamos os quinze minutos seguintes e sorver restos de gelo derretido na esperança de encontrar algum aroma perdido.
À minha volta conversavam as gentes, uns mais solitários, outros numa camaradagem audível, que se revelou bastante chata quando me pus a fotografar, era pessoas do norte com aquele sotaque que é impossível disfarçar: "Uoilha, está a tirar fotos" "Ó meneina" "Temiuma máquina fotográfica". E eu lá ia ignorando e continuava alegre o que estava a fazer, fotografando alguns detalhes daquelas prateleiras cheias de livros e bibelots.
Havia pessoas sentadas perto da porta, não há uma esplanada mas quase, as entradas são deixadas completamente abertas para se aproveitar o ar fresco da noite, são normalmente as mesas mais cobiçadas.
Este sítio situa-se extremamente perto do miradouro, e desse modo é muito fácil passar-se de um para outro e contemplar a cidade destas varandas geográficas. É aconselhável. Quase terapêutico. Olhar para Lisboa de vez em quando devia ser um remédio receitado pelo médico.
De segunda a sexta, das 16:30h às 2h
De sábado a domingo, das 14h às 2h
domingo, 6 de maio de 2012
Mr.Wrap
Descobri este sítio de uma forma muito interessante:
1. Há uma paragem de autocarro mais-ou-menos em frente na qual costumo sair frequentemente;
2. No caminho para ir para o Jardim Botânico Tropical passo por ele;
3. Está muito próximo dos Pastéis de Belém e do Pão Pão Queijo Queijo, acabando depois por viver um pouco na sua sombra devido à pouca visibilidade do sítio onde se situa.
Assim sendo o Mr.Wrap só é mesmo encontrado por aqueles que o procuram. Com entrada numa pequena subida, a sua porta oculta-se por detrás dos carros estacionados, mas pouco a pouco vai ganhando protagonismo.
Abriram as portas há sensivelmente um ano, se é que a minha memória não me falha, tempo suficiente para conseguirem alguma visibilidade, mas ainda podem ser considerados um café caçulinha, e este termo aplica-se bem a uma das fotos finais.
Lembro-me que esta minha estreia foi logo a seguir a ter conhecido o bar SOU, no Intendente, e de ter reparado que a arca verde que eles lá tinham era igualzinha a esta que aqui encontrei e que estava a servir de mesa e base para a tosta mista (2.80€) que a Sara e o Drocas tinham acabado de pedir para dividir
Os wraps simples ficam entre os 3€ e os 4.5€, e depois há o menu que dá para escolher entre o pequeno (3.65€ a 5.50€) e o grande (5.85€ a 7.70€), há ainda tostas, saladas, wraps de pizza, bruschettas, etc.
Os galões deste local são os mais bem servidos de sempre e são bastante baratos comparados com a quantidade, copos enormes e saciantes, e eu que já estou a ficar perita nesta coisa do galão sei de que falo (é um pouco o pedido dos pobres, é café mas sacia ao mesmo tempo). Voltei cá com o meu pai e com a minha tia que muito apreciaram o espaço, suponho que seja um pouco diferente dos cafés normais a que estão habituados a ir, e bem, neste dia viu-se claramente que "filho de peixe sabe nadar", afinal de contas o meu pai consegue pôr ainda mais conversa do que eu com os proprietários, se calhar devia fazer dele a minha Jane (só mesmo porque não abdico do posto de Tarzan).
Há espaços mais casuais para conversar com sofás compridos e há mesas "de jantar" que proporcionam um bom espaço para trabalho e que me fizeram lembrar uma fábula de criança. Há também uma mesinha com revistas, incluindo entre as quais a Time Out. E não esquecer a maravilhosa Wifi!
Quem lá está a trabalhar é cinco estrelas, pessoal jovem e com bom espírito, nada mais desejo para este tipo de espaços senão que cresçam e que consigam ser autosuficientes. Precisamos deles para bem da nossa Lisboa cultural e são óptimas alternativas ao batido McDonald's.
E para acabar deixo uma pequena cadeirinha de bebé (do bebé urso talvez!), um pormenor que achei um mimo e que nunca tinha visto tão assumido em mais nenhum sítio e que aqui é considerado uma mais-valia para a decoração.
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