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sexta-feira, 13 de julho de 2012
As Vicentinas
As Vicentinas ou Casa de Chá de Santa Isabel são um salão de chá que se iniciou na década de 50 como salão de costura. instalado num antigo armazém de bananas que foi cedido pela câmara ao grupo Vicentino para que pudesse fazer o seu ofício e gerar receitas para ajudar carenciados. Neste local realizavam-se também desfiles para mostrar as peças feitas, sendo aos convidados oferecido chá e scones, moda que começou a pegar e que foi o início do que é hoje esta casa de chá.
Pergunto eu: o que dá mais prazer? A aquisição de um novo vestido ou a degustação de um scone amanteigado? Depende da pessoa suponho, mas aparentemente a comida superou os desfiles de moda.
A entrada situa-se diante de um mini mercado do qual eu nunca ouvi falar, é discreta e podemos facilmente passar-lhe ao lado, mas impõe o seu respeito com uma sinalética que declara desde logo que aquele edifício tem história.
Entrando lá dentro deu a impressão de ser um espaço de habitués. Às 16h não havia ninguém excepto duas senhoras que estavam sentadas perto de nós. Gente jovem havia muito pouca, é uma casa típica onde pessoas maioritariamente mais velhas gostam de vir ter o seu momento zen e consumir chazinho, muitas delas trazendo os pais idosos.
Nunca discutir com as preferências sapientes dos avós. Eles sabem o que é bom ou, pelo menos, o que é original.
Uma das coisas que é impossível não notar aqui são os motivos religiosos. Ressaltou-me logo à vista um Jesus crucificado pendurado bem alto na parede e outro comodamente encostado na sua almofada olhando-nos com ar arrogante. Dir-se-ia até que teria estado a consumir uns scones à patrão e agora relaxava apenas de barriga cheia. Senti pena do Jesus superior. Aposto que durante todo o tempo que serviu de decoração a esta casa de chá desejou secretamente sair do seu suporte e ir sentar-se ao lado da sua representação mais jovem. Enfim, passei-lhes à frente e fomos sentar-nos num agradável espaço interior/exterior. A esplanada d'As Vicentinas tem a vista celeste coberta pelas copas das árvores e espaço para albergar ainda algumas pessoas, que bem que aqui se está, apesar de continuar com aquela pequena sensação de "serei jovem demais?".
Desta área era possível ver através das janelas para aqui viradas as outras salas: havia uma pequena sala cujas portas tinham flores, havia uma mesa, móveis e um cabide curioso e junto a ela havia acesso para um espaço que não funcionava sempre mas que pelo material que lá estava deu para perceber que a costura não desapareceu completamente em favor dos scones: eles ainda realizam workshops.
Atrás de mim estava uma mesa com os bolos do dia, algo que aconselho a não ver quando se está com fome, mas se querem mesmo sofrer sempre podem ver no facebook o que estão a perder. Para além disso costumam pôr lá a ementa do dia e talvez consigo informar-vos dos seus futuros eventos, se os houver.
Para consumo pedimos dois chás, um deles que seria um dos melhores que alguma vez bebi (frio claro) e o outro era o chá da casa (chá preto e limão se não estou em erro) que custou 1.50€. O que me soube que nem ginjas era um chá de frutas diversas, docinho mas não demais, saboroso mas não tão óbvio assim, fresco, uma maravilha.
Pedi também scones para acompanhar (1€ pelo primeiro, que traz manteiga, e 0.90 pelos que seguirem). Não resisti a repetir a dose, vieram mesmo a calhar, quentinhos, amanteigados à vontade do freguês, há muito tempo que não tinha um tea time como deve de ser e não me arrependi nada, aliás, tenho é de o fazer mais vezes.
Como o tema de conversa de hoje esteve de algum modo relacionado com comida decidi deixar aqui a grande questão que foi debatida: porque é que o Hurley da série Lost não emagrece nunca enquanto está na ilha? Uma das hipóteses foi ter problemas de tiróide mas honestamente ainda não percebi ao certo o que é que isso implica e se mesmo tendo esses problemas não seria possível emagrecer passando fome como ele passou. Ou simplesmente é o efeito da ilha, mas essa é a resposta fácil e parola.
Aberto de segunda a sexta das 11h às 19h e sábados das 15:30h às 19h.
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quinta-feira, 12 de julho de 2012
Orpheu Caffé
O espaço surpreendeu-me logo à entrada, é impossível não notar naquele papel de parede um pouco kitsch mas que ali assenta que nem uma luva. A luz dos candeeiros chama a atenção sobre as pequenas folhas que pendem de cada um deles: é um pedaço de literatura, honrando a origem de seu nome, Orpheu.
Decidimos ficar numa mesa grande quadradona perto da entrada, espaçosa o suficiente para podermos fazer o nosso estendal de trabalho, três designers precisam de espaço. A Lana Del Rey embaláva-nos com as suas canções anestesiadas que parecem sempre mais pesadas do que o ar que propaga o seu som. Mal sabíamos nós que esta seria a playlist do dia, Lana, sempre, quatro horas de Lana on repeat.
As bebidas aqui vêm em ponto grande, o que significa que o preço não pode ser considerado caro em proporção com o tamanho, nunca aconteceu dividir uma só bebida mas aqui é bem possível. Nomes diferentes chamaram-me a atenção e decidi partilhar uma groselha com limonada e um mazagran (este já conhecia) com o Nuno. Estavam os dois agradáveis, mas para quem tem gosto por coisas mais doces, a groselha ultrapassava a milhas. O melhor mazagran que já bebi foi, ironicamente, preparado por um amigo meu numa altura em que eu nunca tinha provado tal coisa. É incrível como as primeiras experiências nos marcam e nos podem afastar ou aproximar para sempre de um alimento, se o meu primeiro fosse este, não sei se voltaria a experimentar, achei que lhe faltava um pouco de açúcar e um toque a mais de café, mas não me considero suficientemente expert para dar opiniões objectivas. Este é um gosto pessoal.
Quanto à outra bebida, devorei-a. Mais tarde a Margarida pediu um chá frio de laranja (acho eu) e rooibos, cuja minha primeira experiência também foi caricata: o meu primeiro rooibos foi recebido por correio, numa carta que fazia parte da iniciativa Postcrossing. Acabei por prepará-lo em casa mas fiquei desiludida. Foi a mais cara das três e custava 2.50€. Groselha com limonada eleita como clara vencedora.
Quanto à comida, a primeira tosta estava tão boa que quando dei por ela já tinha desaparecido do prato de todos e tinha-me esquecido de a fotografar, tinha pasta de atum, tomate e pepino, e eu que não sou grande apreciadora de pepino não me fez qualquer diferença. Acho que ficou a 5.50€. A outra que comemos, com beringela, queijo de cabra e marmelada estava menos boa, era ligeiramente embuchativa, o Nuno deixou a parte dele porque sabia demasiado ao queijo. Era mais cara e acho que ficou a 6.90€.
Mas tudo isto são críticas menores, o espaço vale totalmente a pena, o atendimento é excelente: quando perguntámos se podiam cortar as tostas em três partes para dividir eles trouxeram logo três pratos já com um pedaço de cada tosta por cima. Um pequeno facilitismo que eles não precisavam de fazer mas que foi muitíssimo apreciado.
O espaço da esplanada pareceu-me também muito agradável mas acabámos por ficar apenas no interior (tomadas, tomadas!). Faz lembrar o Royale Café, uma área ao ar livre mas isolada, um dentro/fora (adoro este tipo de espaços paradoxais).
Outras coisas com bom aspecto: os bolos, os scones, as empadas e os brownies de chocolate que estavam a olhar para nós de dentro das suas redomas de vidro. A ementa de almoço também parecia muito tentadora e tendo em conta o preço das tostas, uma refeição completa acaba por ser mais barata (sopa + mini prato + café por 8€). Há também nesta altura uma opção chamada Menu de Verão (sopa + salada por 6.50€) que podemos escolher. A sopa sozinha é 2.5€.
Entre outras coisas há objectos vintage espalhados pelo café, garrafas antigas, balanças, livros e outros pormenores interessantes ainda por descobrir (mais literatura!).
Aberto de terça a sábado das 11h à meia-noite e domingo das 11h às 20h. Fechado às segundas.
domingo, 17 de junho de 2012
Vertigo
Quando saímos do Royale continuámos com a panca de ir ao Vertigo. O facto de termos sido enxotadas foi chato mas compreensível, o Tarzan não guarda rancores de ninguém, especialmente de pessoas que durante o seu tempo de trabalho se devem ter confrontado com os clientes mais bestas de sempre, eu não quero ser besta, as bestas estão na selva.
As pessoas tinham acabado de ir embora do evento que lá estava a ocorrer e por isso tínhamos o espaço só para nós o que é agradável mas ao mesmo tempo um pouco intimidante (há sempre a responsabilidade de servir bem o cliente, mas será que também há a de ser um bom cliente? Acho que a sinto na pele). Deu também para tirar fotos sem gente mas os vários tipos de luminosidade que vinha de todos os lados acabaram por não ajudar nada.
Numa rápida vista de olhos ressaltaram logo uma série de quadros antigos pendurados nas paredes e as sardinhas dos Santos Populares que estavam expostas como decoração. Chamo especial atenção para uma em particular.
Olhando para cima é impossível não perder algum tempo a tentar perceber o intrincado padrão do tecto: um vitral repleto de motivos florais, alguns animais e possivelmente um toque inca. Este é um dos tipos de luz que está presente no local, quem vem em tonalidades coloridas e que lhe confere uma aura mais ostentosa. Há também a luz natural que vem das janelas (mais branca e brilhante) e a das lâmpadas dos candeeiros (mais amarelada). Parece haver luz por todo o lado mas esta combinação acaba por resultar num ar soturno mas imponente e com um toque tabernoso. Há também umas misteriosas escadas em caracol para o andar de baixo que nos fazem questionar se mora lá alguma espécie de goblin ou se é só um andar que abrem esporadicamente para eventos (talvez eventos que incluam goblins)
Escolhemos uns sofás simpáticos ao canto para nos sentarmos, perto de uma suposta tomada funcional, mas que rapidamente decidimos deixar de usar devido a uns barulhos crepitantes que fazia cada vez que colocava o íman do carregador em contacto com o Macintosh. Havia também um tabuleiro de damas mas deduzi que provavelmente estava incompleto, tenho vindo a reparar que jogos em cafés não sobrevivem muito tempo, infelizmente.
Pedi um galão e a Margarida uma dose de açaí (um sabor que só posso descrever como uma mistura de iogurte de frutos do bosque com papa de bolacha), o açaí é uma fruta brasileira super nutritiva (ou assim dizem) que agora anda na moda e que ainda tem um preço bastante puxado, o que é provável que derive do facto de já vir numa espécie de polpa iogurtada densa e não como baga, a sua forma original. Não se deixem enganar pelo aspecto, aquilo parece gelado de chocolate à primeira vista mas não, não se enganaram no pedido e é mesmo o que vos puseram à frente por isso comam e sintam-se super potentes.
Li em algum lado que tinham brunch ao domingo. Eles não têm website que eu saiba mas têm o omnipresente facebook. Cá o disponibilizo, para ficarem a par de algumas ementas do dia e de possíveis acontecimentos ou mudanças de horários (eh eh). Enfim, pagámos e lá deixei um pequeno gato temático, tal como fiz no Royale, desenhado numa folha do meu diário gráfico, em cima da mesa.
Está aberto das 11h à meia-noite, todos os dias menos segunda-feira.
As pessoas tinham acabado de ir embora do evento que lá estava a ocorrer e por isso tínhamos o espaço só para nós o que é agradável mas ao mesmo tempo um pouco intimidante (há sempre a responsabilidade de servir bem o cliente, mas será que também há a de ser um bom cliente? Acho que a sinto na pele). Deu também para tirar fotos sem gente mas os vários tipos de luminosidade que vinha de todos os lados acabaram por não ajudar nada.
Numa rápida vista de olhos ressaltaram logo uma série de quadros antigos pendurados nas paredes e as sardinhas dos Santos Populares que estavam expostas como decoração. Chamo especial atenção para uma em particular.
Olhando para cima é impossível não perder algum tempo a tentar perceber o intrincado padrão do tecto: um vitral repleto de motivos florais, alguns animais e possivelmente um toque inca. Este é um dos tipos de luz que está presente no local, quem vem em tonalidades coloridas e que lhe confere uma aura mais ostentosa. Há também a luz natural que vem das janelas (mais branca e brilhante) e a das lâmpadas dos candeeiros (mais amarelada). Parece haver luz por todo o lado mas esta combinação acaba por resultar num ar soturno mas imponente e com um toque tabernoso. Há também umas misteriosas escadas em caracol para o andar de baixo que nos fazem questionar se mora lá alguma espécie de goblin ou se é só um andar que abrem esporadicamente para eventos (talvez eventos que incluam goblins)
Escolhemos uns sofás simpáticos ao canto para nos sentarmos, perto de uma suposta tomada funcional, mas que rapidamente decidimos deixar de usar devido a uns barulhos crepitantes que fazia cada vez que colocava o íman do carregador em contacto com o Macintosh. Havia também um tabuleiro de damas mas deduzi que provavelmente estava incompleto, tenho vindo a reparar que jogos em cafés não sobrevivem muito tempo, infelizmente.
Pedi um galão e a Margarida uma dose de açaí (um sabor que só posso descrever como uma mistura de iogurte de frutos do bosque com papa de bolacha), o açaí é uma fruta brasileira super nutritiva (ou assim dizem) que agora anda na moda e que ainda tem um preço bastante puxado, o que é provável que derive do facto de já vir numa espécie de polpa iogurtada densa e não como baga, a sua forma original. Não se deixem enganar pelo aspecto, aquilo parece gelado de chocolate à primeira vista mas não, não se enganaram no pedido e é mesmo o que vos puseram à frente por isso comam e sintam-se super potentes.
Li em algum lado que tinham brunch ao domingo. Eles não têm website que eu saiba mas têm o omnipresente facebook. Cá o disponibilizo, para ficarem a par de algumas ementas do dia e de possíveis acontecimentos ou mudanças de horários (eh eh). Enfim, pagámos e lá deixei um pequeno gato temático, tal como fiz no Royale, desenhado numa folha do meu diário gráfico, em cima da mesa.
Está aberto das 11h à meia-noite, todos os dias menos segunda-feira.
terça-feira, 22 de maio de 2012
Pois, Café
"Pois..." Aquilo que mais se ouve dizer entre o povo português e talvez uma daquelas palavras que não têm uma tradução perfeita. É uma onomatopeia de resignação ou de confronto com a maléfica realidade, quando criamos na nossa cabeça o cenário abstracto ideal e, de repente, nos apresentam factos que invalidam toda esta situação hipotética.
Então e tens dinheiro para fazer isso?
Hm... Pois...
O "pois" é assim uma palavra crucial da nossa língua e fez-me pensar na nossa maneira bilingue de falar. Quantas vezes não damos por nós a comunicar numa espécie de portinglês quando para aquela situação não existem palavras mais adequadas do que estrangeirismos. É uma pena não dizer exactamente o que queremos só para salvar a integridade da nossa língua mãe, e então, lá deixamos sair um self-conscious porque "auto-consciente" soa estranho ou uma bitch em vez de "puta" mas com o significado de "sacana" e assim ninguém interpreta da maneira que não queremos. Será este o futuro da linguagem? Uma mixórdia tal que qualquer estrangeiro consegue sempre perceber parte do que estamos a dizer, um paleio universal, utopia cumprida!
O Pois, Café é um café austríaco, gerido por austríacos, com coisas austríacas. Chegados a Portugal depararam-se com a misteriosa palavra "pois", o filler da língua portuguesa, e assim foi baptizado o café, que passou então a invalidar os sonhos de muita gente.
Este espaço serve as melhores tostas de Lisboa e arredores em termos de sabor/originalidade e eu e a Margarida comemos a Romy (bacon, alho francês, molho de mel e carile rúcola com salada de rúcola, couve roxa, cenoura e pimento) todas as vezes que cá vamos porque... É impossível resistir e pedir outra coisa. Contudo, tem vindo a tornar-se mais cara e agora já anda nos 6.90€, que justifica perfeitamente a qualidade mas que continua a ser caro para uma refeição que apetece consumir pelo menos uma vez por semana.
Tirei um pequeno excerto descritivo do site da Lifecooler por causa de uma particularidade interessante em relação às mesas: são elas que dão personalidade aos diversos espaços dentro deste espaço (espaçoception?) e eu nunca tinha pensado nisso de maneira a que este fulanos (que é, como quem diz, simpáticos repórteres) mostraram-me a luz:
As mesas são inspiradas em cidades que lhe dão o nome. Desta forma, temos Buenos Aires, que é um recanto com sofás e mesinhas de apoio, as quais dão a sensação de estar em casa; Marraquexe, um divã alto aconchegado entre três paredes, com uma mesinha de levar o pequeno-almoço à cama no meio - é perfeita para o chá; Viena, de madeira trabalhada e a única com as cadeiras todas iguais, dá para as refeições (...) as restantes designam-se de Sydney, Moscovo e Fiji.
Eu gosto especialmente do lado Marraquexe, é a minha cara chapada por nos obrigar a comer de maneira menos convencional, de pernas pendentes, com o tabuleiro no colo, mirando todos os outros clientes, ou de pernas cruzadas e prato no divã, a olhar para a nossa companhia.
Vim cá com a Margarida jantar antes de irmos ver o concerto alucinante do Filho da Mãe no Teatro Maria de Matos, que por sinal também tem um café, mas essa é outra história.
O Pois faz parte da iniciativa de Bookcrossing e todos os livros arrumados nas estantes, mesas e mãos das pessoas podem ser usufruídos e até trocados por algum que se tenha em casa.
Este é também um óptimo sítio para se estar a estudar e a trabalhar (talvez mais trabalhar porque às vezes pode tornar-se barulhento). Tem wifi da casa e apanha o hotspot da Zon se não me engano. Imaginem isto: podem poisar o vosso portátil comodamente na zona Viena enquanto degustam um apfelstrudel e sentem aquele ambiente porreiro na pele apreciando um calorzinho de fim de tarde que vos bate na testa.
Por falar em strudel, esta casa faz-me sempre lembrar uma personagem alemã que conheci chamada Malte e que me ensinou a pronunciar correctamente o nome deste doce complicado e por isso vou passar-vos conhecimento precioso por aqui!
Arremetam também para o site deles porque tem as ementas da semana! Aqui. Go go.
Então e tens dinheiro para fazer isso?
Hm... Pois...
O "pois" é assim uma palavra crucial da nossa língua e fez-me pensar na nossa maneira bilingue de falar. Quantas vezes não damos por nós a comunicar numa espécie de portinglês quando para aquela situação não existem palavras mais adequadas do que estrangeirismos. É uma pena não dizer exactamente o que queremos só para salvar a integridade da nossa língua mãe, e então, lá deixamos sair um self-conscious porque "auto-consciente" soa estranho ou uma bitch em vez de "puta" mas com o significado de "sacana" e assim ninguém interpreta da maneira que não queremos. Será este o futuro da linguagem? Uma mixórdia tal que qualquer estrangeiro consegue sempre perceber parte do que estamos a dizer, um paleio universal, utopia cumprida!
O Pois, Café é um café austríaco, gerido por austríacos, com coisas austríacas. Chegados a Portugal depararam-se com a misteriosa palavra "pois", o filler da língua portuguesa, e assim foi baptizado o café, que passou então a invalidar os sonhos de muita gente.
Este espaço serve as melhores tostas de Lisboa e arredores em termos de sabor/originalidade e eu e a Margarida comemos a Romy (bacon, alho francês, molho de mel e carile rúcola com salada de rúcola, couve roxa, cenoura e pimento) todas as vezes que cá vamos porque... É impossível resistir e pedir outra coisa. Contudo, tem vindo a tornar-se mais cara e agora já anda nos 6.90€, que justifica perfeitamente a qualidade mas que continua a ser caro para uma refeição que apetece consumir pelo menos uma vez por semana.
Tirei um pequeno excerto descritivo do site da Lifecooler por causa de uma particularidade interessante em relação às mesas: são elas que dão personalidade aos diversos espaços dentro deste espaço (espaçoception?) e eu nunca tinha pensado nisso de maneira a que este fulanos (que é, como quem diz, simpáticos repórteres) mostraram-me a luz:
As mesas são inspiradas em cidades que lhe dão o nome. Desta forma, temos Buenos Aires, que é um recanto com sofás e mesinhas de apoio, as quais dão a sensação de estar em casa; Marraquexe, um divã alto aconchegado entre três paredes, com uma mesinha de levar o pequeno-almoço à cama no meio - é perfeita para o chá; Viena, de madeira trabalhada e a única com as cadeiras todas iguais, dá para as refeições (...) as restantes designam-se de Sydney, Moscovo e Fiji.
Eu gosto especialmente do lado Marraquexe, é a minha cara chapada por nos obrigar a comer de maneira menos convencional, de pernas pendentes, com o tabuleiro no colo, mirando todos os outros clientes, ou de pernas cruzadas e prato no divã, a olhar para a nossa companhia.
Vim cá com a Margarida jantar antes de irmos ver o concerto alucinante do Filho da Mãe no Teatro Maria de Matos, que por sinal também tem um café, mas essa é outra história.
O Pois faz parte da iniciativa de Bookcrossing e todos os livros arrumados nas estantes, mesas e mãos das pessoas podem ser usufruídos e até trocados por algum que se tenha em casa.
Este é também um óptimo sítio para se estar a estudar e a trabalhar (talvez mais trabalhar porque às vezes pode tornar-se barulhento). Tem wifi da casa e apanha o hotspot da Zon se não me engano. Imaginem isto: podem poisar o vosso portátil comodamente na zona Viena enquanto degustam um apfelstrudel e sentem aquele ambiente porreiro na pele apreciando um calorzinho de fim de tarde que vos bate na testa.
Por falar em strudel, esta casa faz-me sempre lembrar uma personagem alemã que conheci chamada Malte e que me ensinou a pronunciar correctamente o nome deste doce complicado e por isso vou passar-vos conhecimento precioso por aqui!
Arremetam também para o site deles porque tem as ementas da semana! Aqui. Go go.
Agora com novos horários das 11h às 22h todos os dias menos segunda.
Não esperem pela demora porque irei ter mais uma post sobre o sítio, é daqueles que merece, e aqui vai um cavalinho de Buenos Aires para o provar.
Não esperem pela demora porque irei ter mais uma post sobre o sítio, é daqueles que merece, e aqui vai um cavalinho de Buenos Aires para o provar.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Espaço Tintin
Tenho tido algum trabalho para fazer e ando a pôr estas novas posts fora de horas, embora apareçam seguidas, o dia é o dia em que fui a esses espaços e não aquele em que escrevi sobre eles. Infelizmente com o tempo vai-se um pouco da memória da experiência, e quantas conversas não tive eu que gostava de reproduzir aqui, não melhoraram necessariamente o Mundo, ou se calhar melhoraram, talvez um pequeno mundinho particular de alguém.
Passei pelo Espaço Tintin pela primeira vez quando me dirigia para a Lx Factory depois de ter ido à Culturgest ver um filme do Indie Lisboa, filme estranho esse, estranho também o meu deambulanço nesse dia, apanhei o metro na Avenida de Roma e antes de lá chegar passei ao lado deste café iluminado. Não pude deixar de reparar que estava lá um moço agarrado ao computador, era meia-noite e eu pensei: tenho de cá vir. E depois estive à espera do eléctrico no meio dos bêbados do cais, senti-me um balão no meio de silvas. Bem que podia ter decidido entrar no café.
Este é um sítio que parece maior pela quantidade de mini espaços que conseguiram obter através das diferenças da mobília e da situação em que estão dispostas. Há direita, mal entramos, há um ligeiro degrau de elevação (não sei qual o termo arquitectónico para isto) com 3 ou 4 mesas redondas junto a uma parede recheada de post-its de apreço ao local ou de veneração ao Tintin (tenho de confessar que nunca gostei desta personagem e sempre fui fã fiel e dedicada destes fulanos aqui). Este é o local que apanha mais luz por estar próximo da janela, tem também uma boa visão para o televisor suspenso na parede, o que é uma vantagem em dias de futebol.
À esquerda, também junto à janela/parede de vidro existem duas poltronas pequenas a rodear uma mesa baixa meia marroquina. Este é um sítio mais isolado e parece mais apropriado para pessoas que só querem sentar, conversar e beber qualquer coisa.
Se em vez disso decidirmos olhar em frente, então temos três hipóteses possíveis: descer as escadas ao centro, que nos levam à loja de material Tintin e às casas-de-banho. Contornar as escadas pela esquerda, o que faz com que nos situemos num estreitíssimo corredor junto ao vidro com duas mesas altas e quadradas, com cadeiras a condizer, e também uma pequena estante de cartão com literatura portuguesa que deve fazer parte de um projecto que desconheço, mas que pelos vistes é possível tirar um livro e ficar a ler.
Se contornarmos as escadas pelo lado direito vamos directos ao balcão de pedidos passando pelas mesas rectangulares, mais próprias para refeições ou para estudantes que tenham de fazer um estendal para trabalhar.
Mas ainda não acaba aqui, chegados ao balcão temos ainda um outro local que só abre às 20h da noite: a mezzanine! A essas horas passa a ser possível chegar ao fundo do estabelecimento, virar à direita e subir as escadas, chegando a uma espécie de lounge com mini bar e uma narguila de chicha que pelo que me disseram fica a 5€ para quem quiser (parece barato, pergunto-me se é mesmo este o preço). Os cocktails passam também a estar disponíveis e devem rondar os 5€, o costume.
Já cá vim com a Sara e com a Margarida e das coisas que pedi para comer fiquei bastante bem impressionada. Recomendo a tosta italiana com queijo, fiambre, tomate e azeitonas (3.60€), e também o wrap de queijo fresco, nozes, alface e rúcola que fez com que me iniciasse no mundo dos wraps e ficasse fã (3.50€?). A Sara pediu um gelado em taça com duas bolas (2.10€) e uma tosta igual à minha (e que afirmou que podia ser maior, fica aqui o aviso).
Já para beber não tive tanta sorte, a limonada (1.30€) que pedi estava um pouco estranha, não tinha açúcar e eu tive a ideia infeliz de pôr do açúcar saudável (o escuro) por termos essas duas variantes na mesa. Bem, não tinha a noção que aquilo era bastante menos potente do que açúcar normal e até acertar com a dose (não acertei para dizer a verdade) foi um desatino, pronto, fiquei a saber. O chá frio até me soube bastante bem quando lá fui com a Margarida (e supostamente nem sequer gosto de chá frio), aí já tinha aprendido a lição e tirei logo do açúcar refinado, e o galão (1.40€), bem, não há muito por onde errar num galão!
Outra coisa excelente para trabalhadores dedicados é a abundância de tomadas que este sítio tem, tomadas em todo o lado, uma maravilha, e acesso à internet e horários generosos. É um óptimo sítio para trabalhar, fica é talvez um pouco fora de mão mas ao menos encontra-se perto da paragem de metro. E bem, não deixei cá o meu post-it mas é algo que farei certamente quando voltar.
Passei pelo Espaço Tintin pela primeira vez quando me dirigia para a Lx Factory depois de ter ido à Culturgest ver um filme do Indie Lisboa, filme estranho esse, estranho também o meu deambulanço nesse dia, apanhei o metro na Avenida de Roma e antes de lá chegar passei ao lado deste café iluminado. Não pude deixar de reparar que estava lá um moço agarrado ao computador, era meia-noite e eu pensei: tenho de cá vir. E depois estive à espera do eléctrico no meio dos bêbados do cais, senti-me um balão no meio de silvas. Bem que podia ter decidido entrar no café.
Este é um sítio que parece maior pela quantidade de mini espaços que conseguiram obter através das diferenças da mobília e da situação em que estão dispostas. Há direita, mal entramos, há um ligeiro degrau de elevação (não sei qual o termo arquitectónico para isto) com 3 ou 4 mesas redondas junto a uma parede recheada de post-its de apreço ao local ou de veneração ao Tintin (tenho de confessar que nunca gostei desta personagem e sempre fui fã fiel e dedicada destes fulanos aqui). Este é o local que apanha mais luz por estar próximo da janela, tem também uma boa visão para o televisor suspenso na parede, o que é uma vantagem em dias de futebol.
À esquerda, também junto à janela/parede de vidro existem duas poltronas pequenas a rodear uma mesa baixa meia marroquina. Este é um sítio mais isolado e parece mais apropriado para pessoas que só querem sentar, conversar e beber qualquer coisa.
Se em vez disso decidirmos olhar em frente, então temos três hipóteses possíveis: descer as escadas ao centro, que nos levam à loja de material Tintin e às casas-de-banho. Contornar as escadas pela esquerda, o que faz com que nos situemos num estreitíssimo corredor junto ao vidro com duas mesas altas e quadradas, com cadeiras a condizer, e também uma pequena estante de cartão com literatura portuguesa que deve fazer parte de um projecto que desconheço, mas que pelos vistes é possível tirar um livro e ficar a ler.
Se contornarmos as escadas pelo lado direito vamos directos ao balcão de pedidos passando pelas mesas rectangulares, mais próprias para refeições ou para estudantes que tenham de fazer um estendal para trabalhar.
Mas ainda não acaba aqui, chegados ao balcão temos ainda um outro local que só abre às 20h da noite: a mezzanine! A essas horas passa a ser possível chegar ao fundo do estabelecimento, virar à direita e subir as escadas, chegando a uma espécie de lounge com mini bar e uma narguila de chicha que pelo que me disseram fica a 5€ para quem quiser (parece barato, pergunto-me se é mesmo este o preço). Os cocktails passam também a estar disponíveis e devem rondar os 5€, o costume.
Já cá vim com a Sara e com a Margarida e das coisas que pedi para comer fiquei bastante bem impressionada. Recomendo a tosta italiana com queijo, fiambre, tomate e azeitonas (3.60€), e também o wrap de queijo fresco, nozes, alface e rúcola que fez com que me iniciasse no mundo dos wraps e ficasse fã (3.50€?). A Sara pediu um gelado em taça com duas bolas (2.10€) e uma tosta igual à minha (e que afirmou que podia ser maior, fica aqui o aviso).
Já para beber não tive tanta sorte, a limonada (1.30€) que pedi estava um pouco estranha, não tinha açúcar e eu tive a ideia infeliz de pôr do açúcar saudável (o escuro) por termos essas duas variantes na mesa. Bem, não tinha a noção que aquilo era bastante menos potente do que açúcar normal e até acertar com a dose (não acertei para dizer a verdade) foi um desatino, pronto, fiquei a saber. O chá frio até me soube bastante bem quando lá fui com a Margarida (e supostamente nem sequer gosto de chá frio), aí já tinha aprendido a lição e tirei logo do açúcar refinado, e o galão (1.40€), bem, não há muito por onde errar num galão!
Outra coisa excelente para trabalhadores dedicados é a abundância de tomadas que este sítio tem, tomadas em todo o lado, uma maravilha, e acesso à internet e horários generosos. É um óptimo sítio para trabalhar, fica é talvez um pouco fora de mão mas ao menos encontra-se perto da paragem de metro. E bem, não deixei cá o meu post-it mas é algo que farei certamente quando voltar.
domingo, 29 de abril de 2012
Poison d'Amour
Esta é a mesa de coisas a preço mais acessível na Poison d'Amour. Deparámo-nos com ela depois de termos entrado e progredido um pouco nesta casa de chá trés trés chic.
Fiquei ligeiramente irritada por não me terem deixado tirar fotografias, estão com medo? Se têm qualidade é para mostrar. E pelo menos daquilo que provei nada desiludiu. Talvez o pão de chocolate tenha quebrado um pouco a divinalidade do brioche, alternar um amanteigado com um achocolatado não foi boa ideia. No entanto aquele rolinho singelo e abandonado que vêm na foto era o último pain au chocolat que havia e que depois veio parar à nossa mesa, se só sobrava um é porque é bom, ou então as pessoas são todas masoquistas, também é possível, a maioria nem sempre tem razão e isso é uma lição de que não nos podemos esquecer.
Na foto apanhei vários preços. No sentido contrário dos ponteiros do relógio e começanto no pão abandonado: pain au chocolat (1.90€), pães de deus (não têm preço à vista), tarte groseilles e outra que desconheço o sabor (3.80€), brioche parisienne e brioche sucre (1.60€), croissants (1.60€), tarte de pudim flã (2 e tal?) e finalmente rolinhos de pain aux raisins (2.20€).
Eu e a Sara tratámo-nos bem, pedimos as duas o dito pãozinho com chocolate, um brioche parisiense, uma dose de manteiga e mais tarde um croissant. Se quiserem pedir manteiga ou doce custa-vos uns adicionas 0.60€, quanto ao fiambre e ao queijo não perguntei mas suponho que seja um pouco mais.
Tentei sempre ir tirando umas fotos à socapa que ficaram com pouca qualidade e tive de as melhorar bastante, mas também não percebo porque é que depois de uma pesquisa na internet encontro imensa gente com fotos do local, bandidos.
Depois de acabar fui dar uma mirada pelo espaço, quando entramos deparamo-nos logo com uma vitrine recheada de doces finos que nunca custam menos de 3€ cada um e que são daqueles que vemos servir em jantares requintados, uma obra escultórica de açúcar e fruta só por si.
Mais adiante, passando uma das salas onde podemos sentar-nos a comer e seguindo em frente pelo corredor encontramos outro balcão, talvez onde têm os produtos de padaria, e na parede vão-nos sempre acompanhando uns quadros bastante interessantes que retratam animais como se fossem pessoas. Adiante temos uma porta de vidro que dá acesso a uma esplanada traseira (pequeno segredinho), à qual eu tirei fotos para me vingar.
A esplanada é muito simples mas simpática, rodeada de verde, mas um verde tosco porque o jardim não tem nada de especial, serve para nos transmitir um pouco da calmaria da Natureza.
O sítio está aberto de terças a domingos, das 8h às 20h.
Fiquei ligeiramente irritada por não me terem deixado tirar fotografias, estão com medo? Se têm qualidade é para mostrar. E pelo menos daquilo que provei nada desiludiu. Talvez o pão de chocolate tenha quebrado um pouco a divinalidade do brioche, alternar um amanteigado com um achocolatado não foi boa ideia. No entanto aquele rolinho singelo e abandonado que vêm na foto era o último pain au chocolat que havia e que depois veio parar à nossa mesa, se só sobrava um é porque é bom, ou então as pessoas são todas masoquistas, também é possível, a maioria nem sempre tem razão e isso é uma lição de que não nos podemos esquecer.
Na foto apanhei vários preços. No sentido contrário dos ponteiros do relógio e começanto no pão abandonado: pain au chocolat (1.90€), pães de deus (não têm preço à vista), tarte groseilles e outra que desconheço o sabor (3.80€), brioche parisienne e brioche sucre (1.60€), croissants (1.60€), tarte de pudim flã (2 e tal?) e finalmente rolinhos de pain aux raisins (2.20€).
Eu e a Sara tratámo-nos bem, pedimos as duas o dito pãozinho com chocolate, um brioche parisiense, uma dose de manteiga e mais tarde um croissant. Se quiserem pedir manteiga ou doce custa-vos uns adicionas 0.60€, quanto ao fiambre e ao queijo não perguntei mas suponho que seja um pouco mais.
Tentei sempre ir tirando umas fotos à socapa que ficaram com pouca qualidade e tive de as melhorar bastante, mas também não percebo porque é que depois de uma pesquisa na internet encontro imensa gente com fotos do local, bandidos.
Depois de acabar fui dar uma mirada pelo espaço, quando entramos deparamo-nos logo com uma vitrine recheada de doces finos que nunca custam menos de 3€ cada um e que são daqueles que vemos servir em jantares requintados, uma obra escultórica de açúcar e fruta só por si.
Mais adiante, passando uma das salas onde podemos sentar-nos a comer e seguindo em frente pelo corredor encontramos outro balcão, talvez onde têm os produtos de padaria, e na parede vão-nos sempre acompanhando uns quadros bastante interessantes que retratam animais como se fossem pessoas. Adiante temos uma porta de vidro que dá acesso a uma esplanada traseira (pequeno segredinho), à qual eu tirei fotos para me vingar.
A esplanada é muito simples mas simpática, rodeada de verde, mas um verde tosco porque o jardim não tem nada de especial, serve para nos transmitir um pouco da calmaria da Natureza.
O sítio está aberto de terças a domingos, das 8h às 20h.
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