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quarta-feira, 4 de julho de 2012
Clube Ferroviário
Quem vê fotos deste local fica imediatamente tentado a lá ir. Quem não tem carro e decide averiguar o caminho a percorrer através do google maps pensa duas vezes antes de sair de casa. Quem decide conferir os preços das tostas e das sanduíches just in case pensa três. Quem planeia dar lá um saltinho para beber algo barato é melhor ficar simplesmente pelo bairro.
Há cerca de um ano inaugurei-me no espaço quando vim ver o Real Combo Lisbonense tocar, numa iniciativa patrocinada pela Optimus e que conseguiu reunir ainda algum pessoal cuja idade média claramente ultrapassava a minha. A música estava uma delícia, tínhamos ainda como suplemento a companhia de um trolha que tentava sem sucesso seduzir uma das minhas amigas, clássico.
Regressei lá há pouco tempo com a Carina para um lanche. Quem tem o passe de metro não precisa de se preocupar, basta ir até Santa Apolónia e andar o resto a pé. Como a Carina não tinha, foi uma bela de uma aventura para lá chegar de Carris. Depois de várias escolhas desafortunadas, lá conseguímos dar com aquilo, e eu passei a odiar o autocarro 28.
Este é um espaço que vive mais da noite mas que à tarde consegue ser bastante agradável com os seus bancos de avião e uma rede que quebra a luz directa do sol ao mesmo tempo que deixa no chão um padrão de sombras fotogénicas. Com uma esplanada gigantesca, há um espaço mais virado para consumo de refeições e um para quem quer apenas beber algo e relaxar. Há ainda a mesa de matraquilhos e lembro-me que da primeira vez que lá estive tinham mantinhas para quem tivesse frio.
O problema aqui é claramente o preço, pobres como somos, ficamos meia hora a olhar para o menu. Alturas como estas requerem medidas drásticas: esta é a altura indicada para dividir uma tosta, e mesmo assim não é nada barato sendo que o mais em conta fica a 3€ por meia sanduíche ou um muffin salgado pelo mesmo preço.
Constatando o óbvio: quem costuma cá vir tem algum dinheiro. Quando perguntámos de que tamanho eram as tostas a senhora que nos serviu abriu as palmas das mãos e descreveu um diâmetro hesitante e pouco convincente. Dissemos que era para dividir, e ela respondeu-nos que não eram muito grandes mas davam para dividir e se ficássemos com fome depois pedíamos outra.
Não. Não estou preocupada com a falta de fome e com as gordurinhas extra. Dinheiro!
Depois houve ainda o problema do chamado pão polar que criou uma incógnita nas nossas cabeças e que supostamente não dá para dividir por duas pessoas e por isso tivemos de pedir a sanduíche em pão saloio. Para o preço que paguei, desiludiu um pouco, tinha frango, tomate, alface e mayonnaise e vinha com uma salada de mistura de alfaces e abacaxi. Vou dar a margem da dúvida e dizer que possivelmente o pão polar era um ingrediente crucial.
Se estiverem um pouco mais à vontade monetariamente acho que o que faz sentido é ir lá para uns petiscos. Não sei se o menu online está actualizado, pareceu-me que quando lá fui era diferente do que o que vi no website (a famosa sanduíche de pão polar não aparece), mas sempre podem usá-lo para conferir os futuros eventos que vão haver.
Claro que este sítio não é só esplanada. O Optimus Balls foi numa sala do primeiro andar e o próprio espaço interior tem outro bar e sítios para aconchegar o rabo, incluindo uma mesa com promessas de um jogo de damas ou xadrez. Por isso recomendo a exploração extensa do mesmo.
Talvez tenha sido demasiado dura, gosto imenso do Clube Ferroviário, percebo que o preço da comida inclui vista, conforto e tudo aquilo necessário ao seu funcionamento, que pelo tamanho não deve custar pouco a manter. O trabalho nestes sítios tem sempre muito mais do que aquilo que o cliente apreende numa primeira ida.
Aberto de segunda a quarta das 17h às 2h, quinta e sexta das 16h às 4h, sábados das 12h às 4h e domingos das 12h à meia-noite.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Pensão Amor
Tenho uma relação curiosa com este espaço.
A primeira vez que ouvi falar da Pensão Amor foi quando li que ia abrir em Novembro de 2011 juntamente com dois novos bares: o Povo e o Bar da Velha Senhora. Era algo diferente que prometia voltar a dar vida ao Cais Sodré e que beneficiava também de uma posição estratégica muito perto do terminal de tudo o que é transporte público. Todos estes novos sítios, juntamente com a discotecas, ficam situados numa só rua: a rua Nova do Carvalhal, alcunhada de rua cor-de-rosa pela sua recente tonalidade machona, onde se juntam agora as gentes finas caviar e os trambolhos que gostam de morder os mamilos da Fabiana, a stripper do Viking. Este é um casamento de classes improvável, mas que ainda assim coexiste em moderada harmonia debaixo da rua do Alecrim.
Foi precisamente no final de Novembro que fiz também uma viagem para Budapeste. Durante uma semana deambulei pela cidade seguindo as passadas do meu amigo Nuno, para onde ele ia eu ia também, e assim conheci a vida estudantil, a vida citadina, a vida boémia... Quando voltei, a Pensão Amor pareceu-me uma fraca imitação dos Ruin Pubs húngaros de que tanto tinha gostado. Acabei por achar este novo sítio menos espectacular do que achavam as 300 mil pessoas que o enchem quase todos os dias. Pois é, das vezes que cá vim de noite mal me podia mexer e acabava sempre por ir embora irritada, e os preços, esqueçam os preços, decididamente só para gente caviar.
Contudo, ao contrário do que o meu discurso parece indicar, gosto muito deste sítio nas alturas certas, como foi esta última ocasião, em que vim mais cedo para assistir à inauguração do Festival Silêncio, começando com uma espécie de comentário moderado entre vários participantes sobre o "Poder das Palavras", sendo um deles membro dos Buraka Som Sistema.
Eram nove da noite e as réstias finais da luz do dia faziam com que o calor fosse ainda mais insuportável.
A Pensão Amor divide-se em várias salas tendo cada uma a sua particularidade interessante. Antes de entrarmos pela rua do Alecrim (a outra entrada é mais abaixo na rua cor-de-rosa) há um pequeno balcão esplanada com um dos bares que servem bebidas e alguns petiscos. Depois abrimos a porta para uma salta cheia de objectos, mesas, cadeiras, quadros, espelhos, posters, um papel de parede que invoca cabaret, tectos meios kitch, candeeiros, etc.
Mais adiante entramos no espaço onde estava a decorrer o festival e onde há espaço para quem quer dançar. Há também um bar (e tem preços de dia e de noite, watch out!), um sofá grande, várias varandas onde podemos ir apanhar uma lufada de ar fresco e uma cabeça de veado que emerge da parede, atingida por um foco luminoso que a destaca ainda mais. Este pormenor gritava Ruin Pub por todos os lados.
Continuando, temos a casa-de-banho que, verdade seja dita, é extremamente interessante do ponto de vista decorativo. Mais à frente entramos nas escadarias que vão dar aos quartos de aluguer que funcionam um pouco no esquema da Lx Factory (se não me engano).
Avançando um pouco mais há mais uma sala de estar com um varão de striptease no meio, tecto psicadélico e sofás leopardo, aqui também se situa a livraria erótica onde quem quiser pode vir comprar livros e uma loja de acessórios sugestivos chamada Purple Rose num corredor à parte forrado a pêlo.
Está aberto de segunda a quarta das 12h às 02h, quinta e sexta das 12h às 04h e sábado das 18h às 04h.
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domingo, 24 de junho de 2012
Quiosque Banana Café
A reabilitação dos quiosques da Avenida são uma das iniciativas que mais me encheram o coração nos últimos tempos. Esta descida percorro-a frequentemente a pé e quando está frio esta caminhada serve para me aquecer o corpo. Em dias de calor, dou as boas vindas ao Sol e vou saltando entre luz e sombra, jardim e passeio. Gosto especialmente de espreitar para dentro do AdLib (módica quantia de 20€ por um brunch) e ver as pessoas a tomarem o seu pequeno-almoço chique com as mesas cheias de compotas e pãezinhos de todos os tipos. Contemplo de fora, gosto de analisar.
Agora deram-me ainda mais razões para fazer este percurso, ver as esplanadas com gente é algo que me agrada, há vida no jardim, pouco a pouco Lisboa vai regenerando as suas feridas, mas são estes pequenos passos que levam a algo grande.
O Banana Café repete-se duas vezes: uma perto do Marquês de Pombal e outra já junto aos Restauradores, eu fui a este último.
Cada um dos quiosques tem a sua "alma", aquilo que o caracteriza a si e ao seu serviço. Confesso que a minha ideia de serão era ir para o outro lado da rua, onde se situa o quiosque da Time Out, e ouvir uma jazzada tocada por um dos alunos do Hot Club. Contudo devido à divulgação facebook (este é o único com facebook próprio) estava já bastante cheio e pelo menu (tentam inovar mas não têm o básico) acabámos por ir para o outro, e não nos arrependemos, as tostas são gigantes e dão para dividir por duas pessoas ou por três que comam pouco (vêm seccionadas em três partes).
A tosta mista custou-me 3.50€, não é a melhor do mundo confesso mas têm outras variedades, para além de saladas e empadas (que vi provarem e aprovarem). Bebi também um chá frio (1.80€), algo que tenho vindo a apreciar cada vez mais o que me surpreende porque não gosto de chá quente. A Carina pediu um sumo natural de abacaxi que ficou quase ao preço da tosta (2.80€). Decidi pôr a última foto aqui porque ainda apanhou alguns preços pelo que pode vir a ser útil.
Domingo a quarta, das 09h às 11h e de quinta a sábado das 09h às 02h da manhã.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Miradouro do Adamastor
Já escrevia Camões:
Não acabava, quando uma figura
Se nos mostra no ar, robusta e válida,
De disforme e grandíssima estatura,
O rosto carregado, a barba esquálida,
Os olhos encovados, e a postura
Medonha e má, e a cor terrena e pálida,
Cheios de terra e crespos os cabelos,
A boca negra, os dentes amarelos.
O Miradouro do Adamastor chama-se, na realidade, Miradouro de Santa Catarina, tendo ganho esta alcunha devido à estátua erguida no pequeno jardim que dele faz parte e que retrata a mítica criatura dos Lusíadas. Este é sem dúvida o mais insólito dos miradouros, pode não ter um dono peculiar como o do Monte Agudo, mas as gentes que o frequentam são tão diversas que fazem qualquer artista freak sentir-se completamente banal, principalmente de noite, altura em que enche até às bordas.
É impossível não sair de lá com histórias para relatar, ou porque algum maluco veio contar-nos a odisseia completa da sua vida, ou porque um bando de galeses decide celebrar uma despedida de solteiro em tronco nu tomando banhos de cerveja, enquanto o futuro marido nos aborda com um sorriso de desculpas e lamenta o facto de nos ter encontrado usando jardineiras amarelas à Super Mário. Enfim, dependendo da pessoa e do estado de espírito, podemos ter paciência ou não para os aturar, o primeiro não nos largava e teve de ser enxotado pelos senhores do quiosque, enquanto que o segundo nos proporcionou uma conversa bastante cómica e agradável que terminou com um: We're not from England! We are Welsh, and we couldn't care less about them and football. Kinda like Portugal and Spain. You know soccer? We are all soccer players!

O que me sabe melhor neste local é a sangria, os preços são óptimos, se não me engano a ordem era mais ou menos esta: 1€ o tamanho mais pequeno (22cl), 1.5€ o médio (33cl) e 2€ o maior (50cl). A cerveja deve ser a mesma coisa. Depois têm uma selecção de salgadinhos (coxinhas, rissois, croquetes, empadas) que rondam o preço de 1€, o que significa que com 2.5€ se tem um almoço ligeiro à tuga: a jola/sangria e o salgadinho enquanto contemplamos uma vista que vale bem mais do que isso. Ah, e uma tosta mista custa 4€ o que até achei um pouco caro mas até dá para dividir por duas pessoas que não comam muito (também conhecidos como "os passarinhos").
Quando lá fui reparei que a estátua estava agora adornada com um coração vermelho. Voltei a dar de caras com estas intervenções ao pé do teatro S.Luís e próximo dos quiosques da Liberdade, sempre corações, sempre em estátuas, fui pesquisar e a iniciativa chama-se Aqui Bate um Coração, deixo o link para quem quiser aprofundar.
Aberto todos os dias das 10h às 04h da manhã.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Alface Hall
Há várias coisas através das quais se pode caracterizar um sítio/experiência, e que costumo ter sempre em conta, mesmo que não as escreva necessariamente num papel e lhes dê notas de 1 a 10, acho que é um processo emocional, "qualificações sentidas".
Essas coisas são:
- O espaço físico interior (portanto a arquitectura/design);
- O local geográfico onde está situado;
- As pessoas que fazem parte desse espaço;
- A comida (e os preços dessa comida, embora menos relevante);
- A companhia que levamos connosco;
- Os extras (música, paisagem, objectos interactivos, eventos, etc).
Quando um local consegue satisfazer todos esses requisitos com sucesso sabemos que estamos num sítio perfeito porque o sentimos na pele. E foi isso que senti aqui, das duas vezes que cá estive.
A primeira vez que cá vim parar foi completamente por acaso, tinha começado uma saída para o bairro um pouco mais cedo do que o habitual e, nos nossos deambulanços à procura de um sítio para sentar e conversar, passámos por uma larga porta musical: jazz! Quando há música à pala nunca se deve hesitar. Arrastei imediatamente toda a gente que estava comigo lá para dentro, pedimos uma espécie de granizado de limão com vodka que estavam a servir (deixaram-nos provar primeiro) e sentámo-nos numa pequena mesa redonda.
Da segunda vez voltei com a suspeita do costume para uma sessão de trabalho. Arranjámos um sofá escondido junto a uma tomada, num cantinho ao pé do "palco", e montámos o estaminé. Há Wifi gratuita (e Fon Zon incluida).
Como não estava ninguém ainda ficámos à conversa com o rapaz que nos estava a atender, fiquei a saber que estão a ser tomadas medidas para evitar o botellón e que as mercearias deixam de poder vender álcool depois das oito da noite. Não sei se se pode classificar esta informação em algum tipo de conhecimento (conhecimento de vida de bairro?), mas adoro saber estes pequenos factos, ou tentar perceber a maneira de pensar de cada pessoa que gere cada espaço, tal como falei com o Marco do Grémio do Carmo ou com a rapariga do Bake the Difference. Personalidades que de algum modo se relacionam com o local.
É incrível o número de pormenores do Alface e as maneiras como reaproveitam certos objectos, as t-shirts que estão para venda, por exemplo, em vez de serem exibidas de forma enfadonha servem também de decoração, estando penduradas numa corda de secar por cima das nossas cabeças, preenchendo assim o espaço vazio gerado pelos altos tectos.
Por cima da porta de entrada há uma mota estacionada comodamente no parapeito interior da janela. E depois temos bombas de gasolina antigas, telefones, garrafas, rádios, câmaras, bonecada, cadeiras de barbeiro (o meu detalhe favorito sem dúvida) e mais.
Entre mesinhas e sofás, podemos escolher aquilo que mais se adequa ao que viemos fazer: se foi ficar num transe vegetativo a ouvir uma deliciosa jazzada, se foi trabalhar, comer tostas, dizer parvoíces, ou tudo ao mesmo tempo (o nosso caso).
Acaba por ser também um espaço mais multicultural por estar ligado ao Alface Hostel, ouve-se falar português mas não só, bastantes estrangeiros passam por ali a relatar as suas aventuras. É interessante como a palavra "hostel" parece aumentar o à vontade que temos para interagir com outras pessoas (as que gerem o espaço e as que o frequentam), acabamos por sentir menos pressão porque achamos que é mais habitual nestes sítios isso acontecer. Contudo, ninguém diz que num café não podemos simplesmente pôr conversa com a pessoa do lado, mas pode acontecer não sermos muito bem recebidos.
Pedimos uma mistura da tosta de brie e presunto com a tosta mista (ficou assim uma tosta mista mas com queijo brie) que custou 4.5€, e tenho de dizer que estava de chorar por mais e que a minha foto está a milhas do sabor. Antes tinha pedido uma limonada (e lá se foi o preço, tenho-me esquecido de apontar). Mal sabia eu que esta seria a minha última refeição de jeito antes de ter a maior afta da minha vida e ter de passar cinco dias a sopas e iogurtes.
Pelas nove horas começou a música (todos os dias pelas nove/dez horas há jazz mas é possível que seja encurtado para três ou quatro dias por semana). Foi mágico, se calhar estou a exagerar, se calhar era exactamente aquilo que precisava, não sei, foi melhor do que algumas sessões de OutJazz a que tenho ido.
Antes de irmos embora tinha começado a desenhar um gato em cima de uma alface, decidi que devia oferecer-lhes essa "pequena parte de mim". Ao fazer isso apercebi-me que esta podia ser uma boa maneira de divulgar o Tarzan Urbano sem me tornar numa daquelas pessoas chatas que está sempre a mandar convites por facebook. E assim comecei a desenhar "Cheetas", gatos relacionados com os sítios onde ia, e a deixá-los lá. Ganhei também um bom pretexto para desenhar, espero que isto dê algum tipo de resultado favorável e que seja a minha maneira de "mudar o Mundo um bocadinho".
Aberto das 16h à meia-noite.
sábado, 26 de maio de 2012
2 ao Quadrado
Depois do Café Saudade nos fechar a porta à meia-noite, decidimos não acabar por ali e ir à procura de mais qualquer coisa, mas o quê? Informámo-nos com o senhor que estava a fechar o estabelecimento e que parecia super disposto a nos ajudar (tinha talvez um pequeno sentimento de culpa por nos estar a mandar embora). Sugeriu-nos um bar chamado 2 ao Quadrado e lá nos dirigimos para o local.
Este é um espaço um pouco mais barulhento do que os que tínhamos estado anteriormente. Tem já um pequeno toque de tasca (pelas mesas e pelas gentes) mas ao mesmo tempo vê-se que há bastante camaradagem entre os frequentadores e também um certo apreço pela cultura como se pode observar pela enorme quantidade de flyers e posters que têm a revestir as paredes e que nos relembram obras fantásticas como os filmes de Jacques Tati, nos trazem à memória a primeira vez que vimos o Laranja Mecânica, ou nos põem a dissertar falas dos sketches dos Monty Python.
Sempre achei que quando mais adereços tem um sítio, mais motivos de conversa se arranjam. É claro que na maioria dos casos não é preciso, mas é interessante passar os olhos através desta panóplia de cartazes e ir relatando coisas sobre eles, apreciando a sua estética, falar deste ou daquele actor, etc
Os preços que aqui oferecem são bastante generosos, mas a simpatia dos funcionários não foi assim tão generosa e pareceram-me um bocado carrancudos (mas não sei porquê quase que poderia adivinhar que seria assim, falácia, pensamos sempre que já sabíamos aquilo que não fazíamos ideia). Uma tosta com três ingredientes custa 2.60€ (à escolha queijo, fiambre, tomate e cogumelos). Uma imperial pequena custa 1€ e uma caneca com o dobro (44cl) custa 1.90€, um licor beirão custou 2.50€ e um vinho do porto 2€, sem contar com as meias doses que eles têm (que ficam a um pouco mais de metade do preço).
Há também uma sala mais interior que tem mesas de snooker, nós ficámo-nos pela cerveja, pelo licor beirão (que descobri que afinal não gostava assim tanto) e pelo vinho do porto. Substituímos jogo por conversa e no meu caso também por desenhos. Foi aqui que me estreei a desenhar gatos em locais que visito, talvez venha a fazer disso o meu Z de Zorro. Coloquei-o debaixo do tampo da mesa, juntamente com o resto da papelada que já lá estava. Assegurei-me que estava minimamente profundo para não o tirarem de lá.
Eles costumam ter alguns eventos musicais e pelo que pesquisei chegaram a ter conferências. O website parece não ser muito actualizado mas por via das dúvidas vão dando uma olhada.
Aberto de segundas a quintas das 12h às 24h e sextas e sábados das 12h às 2h.
Este é um espaço um pouco mais barulhento do que os que tínhamos estado anteriormente. Tem já um pequeno toque de tasca (pelas mesas e pelas gentes) mas ao mesmo tempo vê-se que há bastante camaradagem entre os frequentadores e também um certo apreço pela cultura como se pode observar pela enorme quantidade de flyers e posters que têm a revestir as paredes e que nos relembram obras fantásticas como os filmes de Jacques Tati, nos trazem à memória a primeira vez que vimos o Laranja Mecânica, ou nos põem a dissertar falas dos sketches dos Monty Python.
Sempre achei que quando mais adereços tem um sítio, mais motivos de conversa se arranjam. É claro que na maioria dos casos não é preciso, mas é interessante passar os olhos através desta panóplia de cartazes e ir relatando coisas sobre eles, apreciando a sua estética, falar deste ou daquele actor, etc
Os preços que aqui oferecem são bastante generosos, mas a simpatia dos funcionários não foi assim tão generosa e pareceram-me um bocado carrancudos (mas não sei porquê quase que poderia adivinhar que seria assim, falácia, pensamos sempre que já sabíamos aquilo que não fazíamos ideia). Uma tosta com três ingredientes custa 2.60€ (à escolha queijo, fiambre, tomate e cogumelos). Uma imperial pequena custa 1€ e uma caneca com o dobro (44cl) custa 1.90€, um licor beirão custou 2.50€ e um vinho do porto 2€, sem contar com as meias doses que eles têm (que ficam a um pouco mais de metade do preço).
Há também uma sala mais interior que tem mesas de snooker, nós ficámo-nos pela cerveja, pelo licor beirão (que descobri que afinal não gostava assim tanto) e pelo vinho do porto. Substituímos jogo por conversa e no meu caso também por desenhos. Foi aqui que me estreei a desenhar gatos em locais que visito, talvez venha a fazer disso o meu Z de Zorro. Coloquei-o debaixo do tampo da mesa, juntamente com o resto da papelada que já lá estava. Assegurei-me que estava minimamente profundo para não o tirarem de lá.
Eles costumam ter alguns eventos musicais e pelo que pesquisei chegaram a ter conferências. O website parece não ser muito actualizado mas por via das dúvidas vão dando uma olhada.
Aberto de segundas a quintas das 12h às 24h e sextas e sábados das 12h às 2h.
Café Saudade
Pergunto-me se se pode ter "saudade" de um sítio onde nunca se esteve. De todas as vezes que tentei nunca consegui arranjar um pretexto grande o suficiente para me teletransportar para Sintra, mas hoje tudo aconteceu num ápice.
Tal como o Pois, Café, também este utiliza uma palavra tipicamente portuguesa no seu nome: saudade. Por mais melancólico que seja o seu significado, não deixa de ser uma palavra de grande beleza. Não sei se alguma vez terei um sentimento tão forte por um local em si (sou capaz de utilizar a palavra para me referir à cidade de Lisboa), acho que quando sentimos falta de um sítio sentimos falta de tudo o que lhe está agregado, sentimos falta do "serão", amigos mais do que incluídos, o essencial mas não obrigatório sabor da comida, e o ambiente que nos rodeia e que pode fomentar a conversa.
Viemos para pouco ficar mas o tempo de estadia foi mais do que o suficiente para dar uma volta pelas redondezas e explorar as imensas divisões desta casa. Não sabia que era assim tão grande, as fotos realmente nunca fazem juz aos locais, as minhas incluídas! Eles têm salas de exposições, salas de mostra de objectos e salas de venda de bibelots, sem mencionar que a cozinha se situa no meio de tudo e temos sempre a possibilidade de cuscar o que andam para ali a fazer, algo que fiz, mas mais para lhes relembrar que tinha pedido uma limonada, e lá veio ela em toda a sua doçura atómica.
Algo que devem saber sobre mim: tenho muitas aftas, gosto especialmente de baptizá-las com este tipo de bebidas ácidas, que como sabem é super conveniente. Mas sobrevivi para continuar a relatar as minhas estadias em cafés e é isso que interessa.
De qualquer dos modos aquela limonada (1.60€) soube-me a muito. A Carolina pediu um chocolate quente com um aspecto de fazer inveja, e os três rapazes dividiram um chazinho, estas escolhas parecem ligeiramente fora de contexto ditas assim mas não há nenhuma regra que diga que os homens não podem dividir um bule de chá entre eles, isso e receber flores.
Pouco tempo depois estávamos a juntar uma mesa extra para mais convidados e a conversa mudou para os filmes. É sempre bom quando alguém conhece um dos meus filmes favoritos de sempre e gosta. Partilho aqui a página imdb do delicioso O, Lucky Man!, com o Malcolm McDowell. De salutar também a banda sonora do vídeo pelo dedicado Alan Price (pianista da banda The Animals) com pérolas como Poor People, O, Lucky Man! e Sell Sell, e por falar em vender, sinto que estou a fazer isso neste momento.
Costumam ter alguns eventos, nomeadamente às quintas-feiras, altura em que se junta um pequeno grupo de interessados na leitura à volta de um orador principal e discutem uma obra escolhida. De qualquer dos modos é ir confirmando no facebook do café já que o blog não parece ser actualizado.
Aberto de segunda a sábado (com folga às quartas) das 8:30h à meia-noite, embora o simpático senhor que nos serviu nos tenha dito que tencionam agora prolongar um pouco mais o horário.
Domingos está aberto das 9h às 20h. Ah, e têm internet gratuita.
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