sexta-feira, 20 de abril de 2012

Geraldine

Quem me falou da Geraldine foi a Rosa. Lembro-me de me ter encontrado com ela à tarde, depois da faculdade e de meses sem a ver. A conversa mantém-se a mesma, felizmente, e ela presenteou-me com um artigo que tinha arrancado de uma revista. Lembro-me também de ter olhado para o nome e de este me ter intrigado. Quem é a Geraldine? No dia seguinte quis mencionar este local a alguém, mas a palavra maldita já se tinha varrido da minha memória.

A Geraldine é um espaço cultural e tem desde vendas de roupa, a workshops, jantares e ciclos de cinema. Não é um sítio onde se possa ir a meio da noite beber um copo. Funciona como escritório e é num primeiro andar de um prédio junto à Avenida da Liberdade. Todo o processo de tocar à campainha e subir um lance de escadas para entrar na casa de um estranho é uma experiência única e bastante insólita. Há sempre o sentimento de estranheza, de estarmos a invadir a privacidade de alguém: será que devemos explorar? Há portas fechadas, não por desconfiança, mas porque não têm nada para oferecer aos visitantes. Timidamente pedi se podia espreitar a cozinha, a rapariga guiou-me a uma porta encortinada e levantou-a para eu espreitar, é... Uma cozinha! Whoa!

Estava com a Patrícia e com a Margarida, as três igualmente intrigadas e sem sabermos muito bem o que fazer. Contudo, passado algum tempo, já estávamos mais adaptadas e comodamente sentadas em lugares de primeira fila. Era quarta-feira e o programa era observar um filme raro de cinema burlesco que iria ser projectado ali, numa tela colocada na sala de estar das proprietárias que tinha, para além de sofás e cadeiras, uma colecção de mini azulejos junto à porta, um candeeiro de tecto de forma estranha, dois retratos gigantes pintados e pendurados na parede, um pato Donald enjaulado, um telefone inútil sem números que aparece no cartão de visita, um mini projector de luz (que eu confundi com uma máquina de esticar a massa estupidamente) e gadgets antigos.







Enquanto não começava a sessão foram passando uns mini sketches que faziam parte do dvd. Cenas de pseudo striptease, em que as raparigas nunca ficavam em menos do que roupa interior, sendo que ara aquela altura isso já devia ser considerado praticamente nudez.

Passando disso para o filme propriamente dito, A Virgin in Hollywood relata a viagem de uma jovem jornalista a essa mesma cidade, sugerida pelo seu próprio patrão para que ela "amadureça" e escreva depois sobre toda a sua experiência, este amadurecimento acaba por acontecer, quer a nível intelectual quer a nível sexual, a pobre criatura perde um pouco da sua ingenuidade e torna-se mais confiante. No entanto, é um filme onde os protagonistas actuam de forma meio falsa e forçada, os diálogos são demasiado fantasiosos, as emoções exageradas e os cortes de plano demasiado óbvios, tudo isto dá-lhe um ar cómico e desnaturado, rimo-nos perante as acções da personagem principal, que no fim, após acabar de escrever a sua história, nos dá uma piscadela de olho cúmplice mas hilariante.



Algo que apreciei nesta experiência e que achei especial graça foi a familiaridade da coisa. As pessoas tocavam à campainha, entravam na sala e diziam boa noite aos presentes. Devíamos rondar as 20 pessoas, provavelmente os outros já se conheciam entre eles, mas estávamos lá todos pela mesma razão: apreciar um bom filme, e de graça, uma coisa que hoje em dia já se faz pouco e eu só tenho é de valorizar estas iniciativas.

Dia 28 de Abril vai haver neste espaço uma venda de roupa vintage em segunda mão, com preços acessíveis e oferta de scones e chá para os que vierem. E todos os meses há novas coisinhas, vão ao website e descubram.

Grémio do Carmo (2)

Podem encontrar a primeira post sobre este local aqui.

Estou de volta, sinto que podia passar aqui o dia inteiro, o Grémio é o sítio perfeito, com as pessoas perfeitas: um espaço pequeno mas cheio de vida e personalidade.

Desta vez vim para comer, indecisa entre tantas coisas novas, eu e o Tiago optámos pelo muffin de beterraba (1.50€) que não desiludiu nem um pouco. O "Sr.Grémio" recomendou também o brigadeirão de chocolate ou o bolo de laranja (da mamã), mas tendo em conta a quantidade de bolos de chocolate que tenho comido ultimamente e o fascínio que despertou em mim a palavra "beterraba" tive de escolher estoutros. Comam lentamente, despedaçando o muffin com os dedos e levando à boca, até chegar à parte mais mole, trinquem o vosso caminho pela felicidade adocicada.


O meu spot junto à biblioteca estava ocupado por isso sentámo-nos junto a uma pequena mesinha para ao pé da qual tivemos de puxar mais uma cadeira, curiosa esta peça de mobília: uma cadeira modular, parecia feita de pedaços de cartão grosso tipo puzzle. Da janela para onde estávamos virados conseguíamos ter vista para a "Feira dos Tecidos", loja onde costumo ir comprar materiais para fingir que sei costurar.




Este sítio está repleto de pormenores que vamos reparando pouco a pouco, notei numa espécie de pequeno trenó junto à parede, a palavra Rosebud surgiu-me imediatamente na cabeça. Ainda não vi o Citizen Kane.

Rosebud is the emblem of the security, hope and innocence of childhood, which a man can spend his life seeking to regain. It is the green light at the end of Gatsby's pier; the leopard atop Kilimanjaro, seeking nobody knows what; the bone tossed into the air in 2001.

O Tiago pediu também um galão, frio porque tem a mania que é diferente, tinha óptimo aspecto e custava o mesmo do que o bolo, e eu pedi a minha Little White Lies, que descobri ter sido trazida do estrangeiro, pelo site da revista esta até parece ser bastante barata comparada com outras do mesmo género.




Deixo um conselho, ou uma história, que o Tiago me "deu" para pensar: como matamos nós uma pessoa sem a matar? Como subimos nós ao Evereste sem o subir realmente? Como nos tornamos famosos sem nos tornarmos? Tudo acontece numa outra dimensão: a prosa, a poesia, a pintura, a banda-desenhada, os filmes e até na nossa cabeça, através do pensamento. Podemos concretizar o que queremos de forma fictícia. O que é que isso nos vai trazer? Talvez algum conforto, excepto se for através do pensamento, pelo facto de termos executado um projecto com sucesso. É engraçada esta visão, concluir objectivos de vida de uma forma indirecta.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Jardim do Príncipe Real

O Jardim do Príncipe Real não é muito grande mas consegue ainda oferecer alguma diversidade na maneira como está arquitectado. Uma das coisas que mais gosto é a pequena rotunda de bancos de jardim abrigados na sombra da copa da árvore que estão a rodear. Os bancos estão debaixo de uma estrutura metálica que deve ter tido já alguma função mais óbvia e que agora serve apenas como decoração. É um óptimo sítio para os casalinhos namoricarem, solteiros contemplarem a beleza da vida independente, bêbedos dormitarem e personagens duvidosas executarem outras actividades possivelmente menos belas, não interessa, o jogo de sombras providencia-nos uma atmosfera espectacular nos dias de Sol.

Há também uma fonte. Parei um bocado com a Sara a contemplá-la e a comentar a cómica e parca vida que ali habita. Uma pomba meia patolas chama especialmente a nossa atenção, tem um problema na pata esquerda e quando anda esta parece pesar-lhe toneladas. Caminha fazendo constantemente o move da Angelina Jolie.

Um pequeno parque infantil neste jardim serve de entretenimento a crianças de pais exaustos, pequenas mesas de piquenique salpicam o caminho (já aqui comi quando fui a um restaurante de pizza nas redondezas, falarei sobre ele eventualmente) e uma descida para o Reservatório de Água Patriarcal satisfaz os sequiosos por conhecimento e cultura. Os famosos quiosques também marcam presença e, embora eu não saiba se está operacional, atravessando a estrada para o passeio há duas WC debaixo do solo.

Li também algures que o Jardim fazia agora parte de uma rede de Jardins Digitais de Lisboa, e que tem um hotspot para quem queira ter acesso à internet. Não dou garantias.


Continuando o nosso percurso deparámo-nos com a forma de engate mais eficiente de sempre, para além do encontro fortuito dos donos dos cães, garanto que se levarem a passear o vosso coelho (sim coelho!) terão muito mais atenções de todo o tipo de públicos. Não consigo expressar por palavras a adoração que sentimos ao ver aquele bicho, tão pacificamente saltitando na erva verde, o peso da nossa mão sobre a sua cabecinha é suficiente para fazer com que este se esborrache contra o chão, mas isso não parece afectar a sua pacata existência.

Decidimos perder-nos por Lisboa, descemos ruas que não sei nomear, deparámo-nos com vários sítios que assentei o nome para ir visitar mais tarde, descobrimos pormenores interessantes, uma porta, um jarro de flores, um grafiti, vivemos peripécias inesperadas quando uma velha decidiu bufar-nos e eu senti genuinamente medo, sendo que afinal ela tinha é um problema respiratório e um tubo enfiado na garganta, não pude evitar rir e ganhar direito a mais um bilhete para o Inferno.




Encontrámos uma residencial no meio de nenhures, descobrimos mensagens de esperança recortadas a branco numa parede pintada de azul escuro, demos com a Casa das Maquetas, uma espécie de paraíso em termos de material para estudantes de arquitectura e design cuja decoração no vidro é particularmente engraçada, explorámos um novo bar com apenas três semanas de existência e onde tive de elogiar o proprietário pela decoração, encontrámos a escola antiga do pai da Sara, junto a uma espectacular igreja, fomos dar ao Adamastor onde até uma estudante de artes como eu se sente normal de mais e terminámos nos banhos...


O nosso rumo era marcado pela luz e pela vegetação, escondidas entre os edifícios da velha Lisboa, aquela que ainda deixa as portas encostadas e os grelhadores no meio das ruelas. E assim, onde quer que ele se encontrasse, we followed the sun.



terça-feira, 17 de abril de 2012

Esplanada Príncipe Real

Localizado em pleno jardim do Príncipe Real, junto à fonte, este café é um bom sítio para se estar sentado observando a vida alheia através das longas janelas/paredes de vidro. Vim cá com a Sara pelas 17 horas da tarde, depois de termos descoberto que o sítio onde planeava ir decidiu mudar de horário dia 2, passando também ele a folgar à segunda. Toda a gente folga à segunda, logo quando não tenho aulas. Achei especialmente cómico o facto de terem feito o aviso dia 2 e não no dia das mentiras, terá sido de propósito para não haver equívocos? Se fosse realmente uma partida de 1 de Abril não fazia muito sentido e era até um pouco parvo, adiante.


Quando cheguei a casa dei uma cuscada no website deles (pesquisar horários, sempre) e descobri que agora estão abertos até às 2 da manhã. Esplêndido digo! Que delicioso sítio para se estar numa noite quente de Verão, mal posso esperar, os horários são os seguintes:

Das 09 às 20h na segunda
Das 09 às 24h de terça a quarta
Das 09 às 02h de quinta a sábado

Mas bem, entrámos e, perante a timidez do empregado, escolhemos um sítio para nos sentarmos a folhear o menu. Tostas, scones, combinados, bolos, tartes... Bolos! O que mais gosto de fazer nestas ocasiões de maneira a tirar o maior proveito de tudo é pedir coisas diferentes e dividir. Neste caso até dava para o fazer com 3 ou 4 pessoas dado que as fatias, cada uma a 2.85€, eram bastante grandes. Decidimos ir para o bolo de maçã e canela e para o clássico brigadeirão de chocolate.


Não são os melhores bolos do mundo, o de canela e maçã estava talvez um pouco seco demais e a "crosta" devia ser mais mole, tive alguma dificuldade em cortá-lo ao meio e quando acabei senti-me um pequeno Moisés que em vez de dividir o mar dividia bolo (close enough), já o de chocolate, bem, como já tinha dito noutras mensagens acabei por saturar um pouco de chocolatices mas há sempre espaço para doces e no final souberam-me muito bem os dois. Com sítios assim, a comida é apenas complemento para o espaço e boas companhias que nos rodeiam e no fim tudo se resume a uma experiência única.

Com paredes de vidro, quer estejamos na esplanada propriamente dita ou lá dentro, estamos sempre a ver o exterior e assim, entre garfadas, comentamos o olhar da criança que vemos do outro lado do café, o chinfrim dos putos atrás de nós e como já fomos jovens e despreocupadas, interrogamos sobre o que é que falam as pessoas que passeiam os seus cães (e sobre o que é que falam mesmo?) e como ter um amigo canino é uma boa maneira de engatar raparigas na rua. Assuntos pessoais, impessoais, animais, estou a divagar agora.

Enquanto estávamos a pagar a conta e a preparar-nos para sair reparei que, para além das caipirinhas que partiam alegremente para a mesa do lado, havia uma tabuleta intitulada Bar Rules que dizia o seguinte:

- 1. Bartender is always right
- 2. If bartender is wrong, see rule 1

Saímos directas para o jardim, partindo depois para o meio do Chiado e Bairro Alto, mas disso falar-vos-ei na próxima post.

À saída reparei noutra coisa, duas bicicletas azuis estavam encostadas à parede exterior da cafetaria, provavelmente de um cliente ou mesmo de um dos empregados, mais uma vez as transparências provam ser úteis, podemos beber uma bica e nunca perder de olho o nosso meio de transporte.


Lembrei-me também (esta é uma post cheia de referências) de uma espécie de witty sayings sobre casas de vidro que andavam para aí a passar na internet. Acho que o ditado original dizia People who live in glass houses shouldn't throw stones. Em português acho que a versão é "Quem tem telhados de vidro não atira pedras ao do vizinho", ou seja, ninguém deve criticar os outros por coisas em relação às quais o próprio não constitui um bom exemplo.

A frase depois acabou por ser adaptada para ter mais piada, tendo até direito a um comentário de uma personagem pela qual sinto um grande carinho e nem sei bem porquê, o senhor Demetri Martin, e aqui está o que ele disse:

There's a saying that goes "People who live in glass houses shouldn't throw stones." Okay. How about "Nobody should throw stones." That's crappy behavior. My policy is: "No stone throwing regardless of housing situation." Don't do it. There is one exception though. If you're trapped in a glass house, and you have a stone, then throw it. What are you, an idiot? So maybe it's "Only people in glass houses should throw stones, provided they are trapped in the house with a stone." It's a little longer, but yeah. 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Café da Dança/Mezzanine (2)

Podem encontrar a primeira post sobre este local aqui.




Não sei se deva necessariamente voltar a referir cafés por onde passei mas porque não? Conversas novas, novidades novas (redundâncias velhas), estou sempre a aprender, com os sítios, com as pessoas, hoje descobri que a papaia se come bem regada com limão e açúcar! Sempre achei este fruto demasiado amargo por si só e o evitei a todo o custo, mas estou disposta a experimentar esta variante, o que não estava nada amargo foi o sumo de goiaba que pedi, cremoso, doce, fresco, perfeito em todos os sentidos, custa 1.80€ e foi bom para contrariar o velho galão (desculpa aí pá! Juro que não virei a casaca) e acabar a refeição em beleza.



Desta vez cheguei ao Mezzanine com a intenção de almoçar algo cozinhado e, por essa razão, combinei encontrar-me com a Carina às 13 horas, sabendo que essa é a hora a que chega a "senhora da cozinha", ou seja, a mulher do homem simpático que nos atendeu quando vim cá da última vez. E venha a salada de frango! Com ovo! Tudo cozido! Mas espera... Não há massa? Descobri a grande falha deste café: há sempre algo em falta, um problema qualquer que nos impede de fazer o pedido até ao fim. Mas estou confiante de que um dia serei atendida sem surpresas e sobressaltos! De qualquer dos modos a única coisa que não tolero é arrogância, de resto, acho que é escusado fazer tempestades em copos de água.

A salada era bastante diversificada e super organizada, com milho, cenoura, ovo, maçã, três tostinhas pequenas, frango, alface, tomate, um pouco de mostarda na borda e noz (que me pareceu mais amêndoa palitada), cada ingrediente no seu local. A meio da comezaina a podre da ventania levou-me o guardanapo pelas grades fora, acenei-lhe adeus enquanto tentava ver se tinha algum lenço enfiado no bolso do casaco. Não tinha.




As fotos no exterior ficaram pior do que estava à espera mas achei que era bom mostrar a varanda e aquilo que comi, a Carina pediu a mesma salada mas com atum, cada uma ficou a 4€. Estavam mesmo MUITO boas. A qualidade aqui não é inventada, ainda não comi nada que fosse mau neste local. E não se deixem chocar pelas cadeiras manhosas, não faz mesmo diferença, o sol compensa tudo.

Para pedir o sumo dirigi-me para o interior e lá fiquei para fugir às rajadas de vento, tenho de dizer que alimentação leve (no sentido literal) com este tempo corre o risco de ficar ainda mais leve quando os seus elementos começarem a ser levados prato fora, as folhas de alface são bastante aerodinâmicas e dão uns planadores espectaculares se a brisa lhes bater da maneira certa.

A propósito das pessoas que se queixam por tudo e por nada, lembrei-me de algo que vi há algum tempo, uma pequena participação de um dos meus stand-ups favoritos, o Louis CK, no programa do Conan O'Brien. Através de humor enuncia a mais verdadeira das verdades, Everything is Amazing and Nobody is Happy.


domingo, 15 de abril de 2012

Casual Lounge

Acrescentei a categoria "Lounges" às minhas lianas embora não tenha bem a certeza de como a irei aplicar, segundo o dicionário:

Lounge |láunge|
(palavra inglesa)
s. m.
1. Átrio, sala de estar ou zona destinada a espera ou descontracção, geralmente dotada de assentos confortáveis.
2. [Música] Estilo musical considerado de escuta fácil ou facilmente adaptável a música ambiente, geralmente com uma base melódica e um ritmo suave.


Quanto à música deu, entre outras, Girls Just Want to Have Fun da Cindy Lauper, Just Can't Get Enough dos Depeche Mode e Footloose do Kenny Loggins, que não se parecem enquadrar no género música ambiente, pelo menos é impossível ouvir isto sentada sem mexer, nem que seja a dar ao pé ou fazer aquele movimento com os braços tipo flexões na vertical.

O Casual Lounge com os seus horários maravilhosos (fecha às duas da manhã todos os dias menos domingo, que fecha à meia-noite, e segunda que é folga) e a sua internet gratuita é um bom local para malhar para os trabalhos da faculdade, mas também para se conviver no conforto dos sofás. O único problema é que é muito caro, e à noite fica ainda mais caro, fiquem atentos ao menu porque estão lá enunciados os dois preços, não se admirem se as coisas custarem mais um euro do que estavam à espera.


Em termos de cocktails gosto de pedir o meu Martini Rosso, é 3€ de noite o que é caro mas não tão caro quando as outras bebidas de mistura (variedades de caipirinhas e afins) que estão entre os 5 e os 6 euros. O vício do Martini ganhei-o no festival Paredes de Coura, sempre que o bebo não consigo evitar pensar nisto. Achei esta série de reclames sensacional, vem dos tempos em que eu ainda via televisão.

Para além das bebidas alcoólicas também costumo pedir o famoso galão neste sítio, mas 2€ custam-me bastante. As tostas são de tamanho razoável e costumam custar entre 2 e 4 euros. Quanto ao pessoal, é simpático mas não propriamente o mais comunicador, algumas das vezes em que fui atendida nem sequer conheciam o que estava no menu, mas bem, prefiro isso a caras de desprezo.

Este sítio sofre também do problema do Starbucks, há alturas em que numa mesa com dois sofás que podiam acomodar um grupo está apenas um casalinho, e quando há um casalinho no perímetro ninguém fica a menos de 2 metros de distância.


 O conceito lounge aplica-se perfeitamente em termos de atmosfera, aí sim, o ambiente a meia luz justifica o nome, esta parca luminosidade é reflectida na parede espelhada para acrescentar dimensão e iluminar sem gastar electricidade, apenas tirando proveito da arquitectura/decoração (amigas arquitectas não me matem agora).

Outras boas oportunidades que ainda não experimentei porque só descobri ontem são menus combinados: scone com manteiga + chá acho que fica por cerca de 2€ e ainda há mais outros (a investigar melhor).

Na conversa de ontem acabámos a discutir trajes de praxe e em que é que consistia todo o ritual de trajar, aparentemente, a capa nunca pode ser lavada e, segundo o meu colega Figueiredo, deve-se ter relações sexuais em cima da capa e/ou masturbar-se por cima desta pelo menos uma vez. Não sei o que achar disto, tendo em conta que não se pode lavar a dita acho que, tal como o casalinho romântico, vai passar a haver uma certa distância de segurança em relação a essas pessoas.

Acrescento: então e se for um casalinho romântico trajado? 4 metros de distância mínimo (2m de ser casal x 2m de ter traje)?

Starbucks de Belém


Já toda a gente conhece esta cadeia americana, mas mesmo assim não vou deixá-la de parte, não sei de que segredos poderei ser eu detentora para estar aqui a divulgá-los mas posso explicar que coloquei esta post na categoria "Esplanadas" pensando não só nas mesas colocadas à frente do estabelecimento mas também naquela portinha do andar de cima que dá acesso a um espaço exterior que se calhar algumas pessoas não notam que existe. Mas bem, das conclusões que já tirei do Starbocas, aquilo com que fiquei foi o seguinte:

- Prices are... Too damn high!
- Não vendem café mas sim mousse, e é viciante.
- Os muffins até têm um preço aceitável (1.90€), e levam certamente droga lá dentro.
- Provei o cinammon roll uma vez para satisfazer uma curiosidade antiga, apesar de nunca os ter provado antes consigo afirmar com todas as certezas que não é dos melhores.
- O código da casa-de-banho costuma ser sempre #1234, mesmo nas outras lojas desta cadeia.
- O espaço em si é óptimo para estar sentado a conversar e para sessões de estudo, infelizmente decidiram dar-nos apenas 45 minutos de internet com cada pedido que fazemos, e não é imediato, temos mesmo de nos levantar e de os ir lá chatear para receber-mos o talão com a password (que não é tão previsível como a da WC).
- Mas isso por um lado põe-nos afastados das redes sociais e faz-nos focar no estudo, por isso props.
- Se não quisermos pagar nada e apenas usar o espaço para fofocar basta subir e escolher uma mesa. Por via das dúvidas, se essa mesa tiver restos de produtos de outros clientes, melhor ainda, é-vos assim atribuída a responsabilidade de os terem consumido e ninguém vos vai chatear.
- Os sofás confortáveis que dariam para um grupo inteiro estão normalmente ocupados por duas pessoas refasteladas, o remédio é resmungar entredentes e sentar nas redondezas, dando uma mirada de vez em quando e bombear o espaço mal eles façam tensões de sair dali (cuidado para não confundir movimento de saída com espreguiçadela, pode correr mal).
- Actividade prefererida nº1: inventar um nome para a senhora da caixa. Cuidado que nem todas estão preparadas psicologicamente para a complexidade do que vão dizer, uma vez quisemos chamar uma amiga nossa de alarve e ela escreveu "A Larve". Portanto, Sr. Dona Larve venha receber o seu café.
- Roubar uma caneca não é assim tão difícil, basta uma mochila ou uma camisola com bolsinho Doraemon.
- Alguns quadros até são bastante interessantes, podemos contemplá-los enquanto esperamos que os nossos colegas menos pobres do que nós sejam atendidos.
- O Starbucks de Belém fecha definitivamente demasiado cedo (à meia-noite), uma boa opção para ir a seguir será o Casual Lounge, ou o café à frente do 2 Good, o qual já não me lembro do nome.



E bem, assim se passou um serão agradável. As fotos não primam pela espectacularidade mas a minha paciência para andar por aí a tirar fotos é limitada e, de qualquer dos modos, ainda vou voltar a este local bastantes vezes.