Lembram-se no dia em que fui lanchar com a Sara à Esplanada do Príncipe Real e acabei por dar um longo passeio perdendo-me nas ruas de Lisboa? Nesse dia dei de caras com O 28, fiz conversa com o proprietário e prometi-lhe que voltaria cá para experimentar o sítio. Dito e feito, e levei a Margarida debaixo do braço.
O 28 é um simpático bar de esquina pertencente à freguesia das Mercês. A sua situação engraçada faz com que o próprio espaço também seja peculiar e tenha que se adaptar de forma inteligente ao local onde se acomoda, algo que à partida poderia resultar mal, mas que aqui foi muito bem resolvido.
O primeiro pormenor que, como estudante de Design, reparei logo e adorei foi o nome e a maneira como o resolveram em termos de sinalética. "O 28" está recortado numa placa de ferro, sendo que o "8" tem continuidade em forma de barra horizontal negativa (recortada também). Mas funciona de uma maneira interessante porque interage sempre com o fundo onde é colocado e assim, se resolverem fazer mudanças drásticas ao bar, a placa nunca destoa. Tinha-lhe tirado uma foto quando dei o tal passeio mas era mais como um registo para não me esquecer do nome. Vou colocar aqui na mesma para perceberem a ideia (tem algum photoshop manhoso em cima mas paciência).
No primeiro andar (ou sítio onde se entra) temos o balcão propriamente dito onde se pedem as bebidas e se faz conversa com os proprietários, porque é boa política, e porque sabe sempre bem ser recebido com um sorriso. Nesta "divisão" há pouco espaço, mas ainda cabe uma mesa ou outra onde, se estiverem com pouca gente, ainda se conseguem organizar e caber todos. Ao lado esquerdo do balcão há a porta para a casa-de-banho (tem um tampo de sanita pendurado), e uma vez aberta essa porta, damos com um corredor estreito e umas escadas a descer que nos guiam ao WC propriamente dito (e só há um).
Se chegarem ao 28 com um grupo maior, há que descer as escadas para arranjar espaço para todos e rezar para que não esteja alguém a ocupar um lugar estratégico (ah, já falámos disto!), aqui damos com uma salinha bastante confortável, num estilo que posso tentar classificar como reciclagem meets marroquino meets surrealismo ou algo assim, as cadeiras e candeeiros de tecto têm claramente um estilo mais oriental, enquanto se pode notar que também há um aproveitamento de material pouco convencional (adoro estas coisas) como uns baldes luminosos cheios de garrafas de vidro vazias, dando um efeito de luz meio marado e que também contribui para o toque surrealista, juntamente com os dois quadros grandes pendurados na parede. Estes quadros complementam optimamente a própria cor da sala, um azul claro pouco comum que transfere uma atmosfera bastante agradável ao sítio, um pouco zen, só faltava colocarem música de meditação (deixo a sugestão!)
A conjunção destes elementos está perfeita e resulta num espaço pequeno mas super agradável. Pedimos duas caipirinhas, a 5.50€ cada uma se não estou em erro, não é um preço especialmente barato mas eles garantiram que eram das melhores e a Margarida aprovou. Eu, mais uma vez, descobri que afinal o problema não é da maneira como estão feitas as caipirinhas mas sim do facto de eu não gostar de cachaça. Garanto que para o que são estavam óptimas (consigo bebê-las tranquilamente), mas as versões vodka, licor beirão e rum são preferíveis para mim.
E bem, o tema de conversa foi a amizade, e o que é que se pode dizer da amizade? Tudo! E conseguimos tirar conclusões mais e menos felizes, e cada vez sinto que quanto mais falo com as pessoas mais descubro coisas sobre mim mesma, vou aprendendo, e isto é muito interessante. Não nos devemos perder com análises comportamentais mas, de vez em quando, é isso mesmo que gosto de fazer. A psicologia é um mundo.
Detalhe: estes candeeiros são espectaculares, lindos lindos lindos, o jogo de luz, a maneira como caem de forma tosca mas perfeita, a atmosfera que transmitem, tudo, quero uns em casa.
sábado, 21 de abril de 2012
Tuareg (2)
Podem encontrar a primeira post sobre este local aqui.
Tirar fotos em sítios pouco iluminados com a minha câmara requer uma mão estável e elementos que cooperem e se mantenham quietos durante algum tempo, ou seja, se esses ditos elementos são pessoas, uma boa foto depende na imobilidade das suas expressões faciais. Dir-se-ia que os próprios já são fotos antes da foto ser tirada. Estátuas em pleno café.
Tirar fotos em sítios pouco iluminados com a minha câmara requer uma mão estável e elementos que cooperem e se mantenham quietos durante algum tempo, ou seja, se esses ditos elementos são pessoas, uma boa foto depende na imobilidade das suas expressões faciais. Dir-se-ia que os próprios já são fotos antes da foto ser tirada. Estátuas em pleno café.
Volto à carga com mais algumas imagens deste local, embora já tenha em mira novos sítios onde se pode fumar chicha, seja como for se acabar por dar um saltinho a esses espaços as provas serão remetidas para este blog.
Digamos que tivemos um azar desgraçado com as bebidas, pedi confiante uma caipiroska de manga, fazendo o triste raciocínio: gosto de manga, gosto de caipiroska normal, que mal poderá fazer a junção destas duas? Pois bem, é um coisa doce e enjoativa, ou simplesmente o Tuareg não serve para beber cocktails e serve apenas para fumar, beber infusões e ponto final. O Francisco pediu uma coisa qualquer com licor de café que também estava doce demais mas se se desse uma dentadinha num dos grãos flutuantes de café e se sorvesse a bebida em seguida ficava ligeiramente melhor (técnica do próprio Chico). De qualquer dos modos custou-me perder aqueles 5€.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Geraldine
Quem me falou da Geraldine foi a Rosa. Lembro-me de me ter encontrado com ela à tarde, depois da faculdade e de meses sem a ver. A conversa mantém-se a mesma, felizmente, e ela presenteou-me com um artigo que tinha arrancado de uma revista. Lembro-me também de ter olhado para o nome e de este me ter intrigado. Quem é a Geraldine? No dia seguinte quis mencionar este local a alguém, mas a palavra maldita já se tinha varrido da minha memória.
A Geraldine é um espaço cultural e tem desde vendas de roupa, a workshops, jantares e ciclos de cinema. Não é um sítio onde se possa ir a meio da noite beber um copo. Funciona como escritório e é num primeiro andar de um prédio junto à Avenida da Liberdade. Todo o processo de tocar à campainha e subir um lance de escadas para entrar na casa de um estranho é uma experiência única e bastante insólita. Há sempre o sentimento de estranheza, de estarmos a invadir a privacidade de alguém: será que devemos explorar? Há portas fechadas, não por desconfiança, mas porque não têm nada para oferecer aos visitantes. Timidamente pedi se podia espreitar a cozinha, a rapariga guiou-me a uma porta encortinada e levantou-a para eu espreitar, é... Uma cozinha! Whoa!
Estava com a Patrícia e com a Margarida, as três igualmente intrigadas e sem sabermos muito bem o que fazer. Contudo, passado algum tempo, já estávamos mais adaptadas e comodamente sentadas em lugares de primeira fila. Era quarta-feira e o programa era observar um filme raro de cinema burlesco que iria ser projectado ali, numa tela colocada na sala de estar das proprietárias que tinha, para além de sofás e cadeiras, uma colecção de mini azulejos junto à porta, um candeeiro de tecto de forma estranha, dois retratos gigantes pintados e pendurados na parede, um pato Donald enjaulado, um telefone inútil sem números que aparece no cartão de visita, um mini projector de luz (que eu confundi com uma máquina de esticar a massa estupidamente) e gadgets antigos.

Enquanto não começava a sessão foram passando uns mini sketches que faziam parte do dvd. Cenas de pseudo striptease, em que as raparigas nunca ficavam em menos do que roupa interior, sendo que ara aquela altura isso já devia ser considerado praticamente nudez.
Passando disso para o filme propriamente dito, A Virgin in Hollywood relata a viagem de uma jovem jornalista a essa mesma cidade, sugerida pelo seu próprio patrão para que ela "amadureça" e escreva depois sobre toda a sua experiência, este amadurecimento acaba por acontecer, quer a nível intelectual quer a nível sexual, a pobre criatura perde um pouco da sua ingenuidade e torna-se mais confiante. No entanto, é um filme onde os protagonistas actuam de forma meio falsa e forçada, os diálogos são demasiado fantasiosos, as emoções exageradas e os cortes de plano demasiado óbvios, tudo isto dá-lhe um ar cómico e desnaturado, rimo-nos perante as acções da personagem principal, que no fim, após acabar de escrever a sua história, nos dá uma piscadela de olho cúmplice mas hilariante.
Algo que apreciei nesta experiência e que achei especial graça foi a familiaridade da coisa. As pessoas tocavam à campainha, entravam na sala e diziam boa noite aos presentes. Devíamos rondar as 20 pessoas, provavelmente os outros já se conheciam entre eles, mas estávamos lá todos pela mesma razão: apreciar um bom filme, e de graça, uma coisa que hoje em dia já se faz pouco e eu só tenho é de valorizar estas iniciativas.
Dia 28 de Abril vai haver neste espaço uma venda de roupa vintage em segunda mão, com preços acessíveis e oferta de scones e chá para os que vierem. E todos os meses há novas coisinhas, vão ao website e descubram.
Grémio do Carmo (2)
Podem encontrar a primeira post sobre este local aqui.
Estou de volta, sinto que podia passar aqui o dia inteiro, o Grémio é o sítio perfeito, com as pessoas perfeitas: um espaço pequeno mas cheio de vida e personalidade.
Desta vez vim para comer, indecisa entre tantas coisas novas, eu e o Tiago optámos pelo muffin de beterraba (1.50€) que não desiludiu nem um pouco. O "Sr.Grémio" recomendou também o brigadeirão de chocolate ou o bolo de laranja (da mamã), mas tendo em conta a quantidade de bolos de chocolate que tenho comido ultimamente e o fascínio que despertou em mim a palavra "beterraba" tive de escolher estoutros. Comam lentamente, despedaçando o muffin com os dedos e levando à boca, até chegar à parte mais mole, trinquem o vosso caminho pela felicidade adocicada.
O meu spot junto à biblioteca estava ocupado por isso sentámo-nos junto a uma pequena mesinha para ao pé da qual tivemos de puxar mais uma cadeira, curiosa esta peça de mobília: uma cadeira modular, parecia feita de pedaços de cartão grosso tipo puzzle. Da janela para onde estávamos virados conseguíamos ter vista para a "Feira dos Tecidos", loja onde costumo ir comprar materiais para fingir que sei costurar.
Este sítio está repleto de pormenores que vamos reparando pouco a pouco, notei numa espécie de pequeno trenó junto à parede, a palavra Rosebud surgiu-me imediatamente na cabeça. Ainda não vi o Citizen Kane.
Rosebud is the emblem of the security, hope and innocence of childhood, which a man can spend his life seeking to regain. It is the green light at the end of Gatsby's pier; the leopard atop Kilimanjaro, seeking nobody knows what; the bone tossed into the air in 2001.
O Tiago pediu também um galão, frio porque tem a mania que é diferente, tinha óptimo aspecto e custava o mesmo do que o bolo, e eu pedi a minha Little White Lies, que descobri ter sido trazida do estrangeiro, pelo site da revista esta até parece ser bastante barata comparada com outras do mesmo género.
Deixo um conselho, ou uma história, que o Tiago me "deu" para pensar: como matamos nós uma pessoa sem a matar? Como subimos nós ao Evereste sem o subir realmente? Como nos tornamos famosos sem nos tornarmos? Tudo acontece numa outra dimensão: a prosa, a poesia, a pintura, a banda-desenhada, os filmes e até na nossa cabeça, através do pensamento. Podemos concretizar o que queremos de forma fictícia. O que é que isso nos vai trazer? Talvez algum conforto, excepto se for através do pensamento, pelo facto de termos executado um projecto com sucesso. É engraçada esta visão, concluir objectivos de vida de uma forma indirecta.
Estou de volta, sinto que podia passar aqui o dia inteiro, o Grémio é o sítio perfeito, com as pessoas perfeitas: um espaço pequeno mas cheio de vida e personalidade.
Desta vez vim para comer, indecisa entre tantas coisas novas, eu e o Tiago optámos pelo muffin de beterraba (1.50€) que não desiludiu nem um pouco. O "Sr.Grémio" recomendou também o brigadeirão de chocolate ou o bolo de laranja (da mamã), mas tendo em conta a quantidade de bolos de chocolate que tenho comido ultimamente e o fascínio que despertou em mim a palavra "beterraba" tive de escolher estoutros. Comam lentamente, despedaçando o muffin com os dedos e levando à boca, até chegar à parte mais mole, trinquem o vosso caminho pela felicidade adocicada.
O meu spot junto à biblioteca estava ocupado por isso sentámo-nos junto a uma pequena mesinha para ao pé da qual tivemos de puxar mais uma cadeira, curiosa esta peça de mobília: uma cadeira modular, parecia feita de pedaços de cartão grosso tipo puzzle. Da janela para onde estávamos virados conseguíamos ter vista para a "Feira dos Tecidos", loja onde costumo ir comprar materiais para fingir que sei costurar.
Este sítio está repleto de pormenores que vamos reparando pouco a pouco, notei numa espécie de pequeno trenó junto à parede, a palavra Rosebud surgiu-me imediatamente na cabeça. Ainda não vi o Citizen Kane.
Rosebud is the emblem of the security, hope and innocence of childhood, which a man can spend his life seeking to regain. It is the green light at the end of Gatsby's pier; the leopard atop Kilimanjaro, seeking nobody knows what; the bone tossed into the air in 2001.
O Tiago pediu também um galão, frio porque tem a mania que é diferente, tinha óptimo aspecto e custava o mesmo do que o bolo, e eu pedi a minha Little White Lies, que descobri ter sido trazida do estrangeiro, pelo site da revista esta até parece ser bastante barata comparada com outras do mesmo género.
Deixo um conselho, ou uma história, que o Tiago me "deu" para pensar: como matamos nós uma pessoa sem a matar? Como subimos nós ao Evereste sem o subir realmente? Como nos tornamos famosos sem nos tornarmos? Tudo acontece numa outra dimensão: a prosa, a poesia, a pintura, a banda-desenhada, os filmes e até na nossa cabeça, através do pensamento. Podemos concretizar o que queremos de forma fictícia. O que é que isso nos vai trazer? Talvez algum conforto, excepto se for através do pensamento, pelo facto de termos executado um projecto com sucesso. É engraçada esta visão, concluir objectivos de vida de uma forma indirecta.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Jardim do Príncipe Real
O Jardim do Príncipe Real não é muito grande mas consegue ainda oferecer alguma diversidade na maneira como está arquitectado. Uma das coisas que mais gosto é a pequena rotunda de bancos de jardim abrigados na sombra da copa da árvore que estão a rodear. Os bancos estão debaixo de uma estrutura metálica que deve ter tido já alguma função mais óbvia e que agora serve apenas como decoração. É um óptimo sítio para os casalinhos namoricarem, solteiros contemplarem a beleza da vida independente, bêbedos dormitarem e personagens duvidosas executarem outras actividades possivelmente menos belas, não interessa, o jogo de sombras providencia-nos uma atmosfera espectacular nos dias de Sol.
Há também uma fonte. Parei um bocado com a Sara a contemplá-la e a comentar a cómica e parca vida que ali habita. Uma pomba meia patolas chama especialmente a nossa atenção, tem um problema na pata esquerda e quando anda esta parece pesar-lhe toneladas. Caminha fazendo constantemente o move da Angelina Jolie.
Um pequeno parque infantil neste jardim serve de entretenimento a crianças de pais exaustos, pequenas mesas de piquenique salpicam o caminho (já aqui comi quando fui a um restaurante de pizza nas redondezas, falarei sobre ele eventualmente) e uma descida para o Reservatório de Água Patriarcal satisfaz os sequiosos por conhecimento e cultura. Os famosos quiosques também marcam presença e, embora eu não saiba se está operacional, atravessando a estrada para o passeio há duas WC debaixo do solo.
Li também algures que o Jardim fazia agora parte de uma rede de Jardins Digitais de Lisboa, e que tem um hotspot para quem queira ter acesso à internet. Não dou garantias.
Continuando o nosso percurso deparámo-nos com a forma de engate mais eficiente de sempre, para além do encontro fortuito dos donos dos cães, garanto que se levarem a passear o vosso coelho (sim coelho!) terão muito mais atenções de todo o tipo de públicos. Não consigo expressar por palavras a adoração que sentimos ao ver aquele bicho, tão pacificamente saltitando na erva verde, o peso da nossa mão sobre a sua cabecinha é suficiente para fazer com que este se esborrache contra o chão, mas isso não parece afectar a sua pacata existência.
Decidimos perder-nos por Lisboa, descemos ruas que não sei nomear, deparámo-nos com vários sítios que assentei o nome para ir visitar mais tarde, descobrimos pormenores interessantes, uma porta, um jarro de flores, um grafiti, vivemos peripécias inesperadas quando uma velha decidiu bufar-nos e eu senti genuinamente medo, sendo que afinal ela tinha é um problema respiratório e um tubo enfiado na garganta, não pude evitar rir e ganhar direito a mais um bilhete para o Inferno.
Encontrámos uma residencial no meio de nenhures, descobrimos mensagens de esperança recortadas a branco numa parede pintada de azul escuro, demos com a Casa das Maquetas, uma espécie de paraíso em termos de material para estudantes de arquitectura e design cuja decoração no vidro é particularmente engraçada, explorámos um novo bar com apenas três semanas de existência e onde tive de elogiar o proprietário pela decoração, encontrámos a escola antiga do pai da Sara, junto a uma espectacular igreja, fomos dar ao Adamastor onde até uma estudante de artes como eu se sente normal de mais e terminámos nos banhos...
O nosso rumo era marcado pela luz e pela vegetação, escondidas entre os edifícios da velha Lisboa, aquela que ainda deixa as portas encostadas e os grelhadores no meio das ruelas. E assim, onde quer que ele se encontrasse, we followed the sun.

Há também uma fonte. Parei um bocado com a Sara a contemplá-la e a comentar a cómica e parca vida que ali habita. Uma pomba meia patolas chama especialmente a nossa atenção, tem um problema na pata esquerda e quando anda esta parece pesar-lhe toneladas. Caminha fazendo constantemente o move da Angelina Jolie.
Um pequeno parque infantil neste jardim serve de entretenimento a crianças de pais exaustos, pequenas mesas de piquenique salpicam o caminho (já aqui comi quando fui a um restaurante de pizza nas redondezas, falarei sobre ele eventualmente) e uma descida para o Reservatório de Água Patriarcal satisfaz os sequiosos por conhecimento e cultura. Os famosos quiosques também marcam presença e, embora eu não saiba se está operacional, atravessando a estrada para o passeio há duas WC debaixo do solo.
Li também algures que o Jardim fazia agora parte de uma rede de Jardins Digitais de Lisboa, e que tem um hotspot para quem queira ter acesso à internet. Não dou garantias.
Continuando o nosso percurso deparámo-nos com a forma de engate mais eficiente de sempre, para além do encontro fortuito dos donos dos cães, garanto que se levarem a passear o vosso coelho (sim coelho!) terão muito mais atenções de todo o tipo de públicos. Não consigo expressar por palavras a adoração que sentimos ao ver aquele bicho, tão pacificamente saltitando na erva verde, o peso da nossa mão sobre a sua cabecinha é suficiente para fazer com que este se esborrache contra o chão, mas isso não parece afectar a sua pacata existência.
Decidimos perder-nos por Lisboa, descemos ruas que não sei nomear, deparámo-nos com vários sítios que assentei o nome para ir visitar mais tarde, descobrimos pormenores interessantes, uma porta, um jarro de flores, um grafiti, vivemos peripécias inesperadas quando uma velha decidiu bufar-nos e eu senti genuinamente medo, sendo que afinal ela tinha é um problema respiratório e um tubo enfiado na garganta, não pude evitar rir e ganhar direito a mais um bilhete para o Inferno.
Encontrámos uma residencial no meio de nenhures, descobrimos mensagens de esperança recortadas a branco numa parede pintada de azul escuro, demos com a Casa das Maquetas, uma espécie de paraíso em termos de material para estudantes de arquitectura e design cuja decoração no vidro é particularmente engraçada, explorámos um novo bar com apenas três semanas de existência e onde tive de elogiar o proprietário pela decoração, encontrámos a escola antiga do pai da Sara, junto a uma espectacular igreja, fomos dar ao Adamastor onde até uma estudante de artes como eu se sente normal de mais e terminámos nos banhos...
O nosso rumo era marcado pela luz e pela vegetação, escondidas entre os edifícios da velha Lisboa, aquela que ainda deixa as portas encostadas e os grelhadores no meio das ruelas. E assim, onde quer que ele se encontrasse, we followed the sun.

terça-feira, 17 de abril de 2012
Esplanada Príncipe Real
Localizado em pleno jardim do Príncipe Real, junto à fonte, este café é um bom sítio para se estar sentado observando a vida alheia através das longas janelas/paredes de vidro. Vim cá com a Sara pelas 17 horas da tarde, depois de termos descoberto que o sítio onde planeava ir decidiu mudar de horário dia 2, passando também ele a folgar à segunda. Toda a gente folga à segunda, logo quando não tenho aulas. Achei especialmente cómico o facto de terem feito o aviso dia 2 e não no dia das mentiras, terá sido de propósito para não haver equívocos? Se fosse realmente uma partida de 1 de Abril não fazia muito sentido e era até um pouco parvo, adiante.
Quando cheguei a casa dei uma cuscada no website deles (pesquisar horários, sempre) e descobri que agora estão abertos até às 2 da manhã. Esplêndido digo! Que delicioso sítio para se estar numa noite quente de Verão, mal posso esperar, os horários são os seguintes:
Mas bem, entrámos e, perante a timidez do empregado, escolhemos um sítio para nos sentarmos a folhear o menu. Tostas, scones, combinados, bolos, tartes... Bolos! O que mais gosto de fazer nestas ocasiões de maneira a tirar o maior proveito de tudo é pedir coisas diferentes e dividir. Neste caso até dava para o fazer com 3 ou 4 pessoas dado que as fatias, cada uma a 2.85€, eram bastante grandes. Decidimos ir para o bolo de maçã e canela e para o clássico brigadeirão de chocolate.
Não são os melhores bolos do mundo, o de canela e maçã estava talvez um pouco seco demais e a "crosta" devia ser mais mole, tive alguma dificuldade em cortá-lo ao meio e quando acabei senti-me um pequeno Moisés que em vez de dividir o mar dividia bolo (close enough), já o de chocolate, bem, como já tinha dito noutras mensagens acabei por saturar um pouco de chocolatices mas há sempre espaço para doces e no final souberam-me muito bem os dois. Com sítios assim, a comida é apenas complemento para o espaço e boas companhias que nos rodeiam e no fim tudo se resume a uma experiência única.
Com paredes de vidro, quer estejamos na esplanada propriamente dita ou lá dentro, estamos sempre a ver o exterior e assim, entre garfadas, comentamos o olhar da criança que vemos do outro lado do café, o chinfrim dos putos atrás de nós e como já fomos jovens e despreocupadas, interrogamos sobre o que é que falam as pessoas que passeiam os seus cães (e sobre o que é que falam mesmo?) e como ter um amigo canino é uma boa maneira de engatar raparigas na rua. Assuntos pessoais, impessoais, animais, estou a divagar agora.
Enquanto estávamos a pagar a conta e a preparar-nos para sair reparei que, para além das caipirinhas que partiam alegremente para a mesa do lado, havia uma tabuleta intitulada Bar Rules que dizia o seguinte:
- 1. Bartender is always right
- 2. If bartender is wrong, see rule 1
Saímos directas para o jardim, partindo depois para o meio do Chiado e Bairro Alto, mas disso falar-vos-ei na próxima post.
À saída reparei noutra coisa, duas bicicletas azuis estavam encostadas à parede exterior da cafetaria, provavelmente de um cliente ou mesmo de um dos empregados, mais uma vez as transparências provam ser úteis, podemos beber uma bica e nunca perder de olho o nosso meio de transporte.
Quando cheguei a casa dei uma cuscada no website deles (pesquisar horários, sempre) e descobri que agora estão abertos até às 2 da manhã. Esplêndido digo! Que delicioso sítio para se estar numa noite quente de Verão, mal posso esperar, os horários são os seguintes:
Das 09 às 20h na segunda
Das 09 às 24h de terça a quarta
Das 09 às 02h de quinta a sábado
Mas bem, entrámos e, perante a timidez do empregado, escolhemos um sítio para nos sentarmos a folhear o menu. Tostas, scones, combinados, bolos, tartes... Bolos! O que mais gosto de fazer nestas ocasiões de maneira a tirar o maior proveito de tudo é pedir coisas diferentes e dividir. Neste caso até dava para o fazer com 3 ou 4 pessoas dado que as fatias, cada uma a 2.85€, eram bastante grandes. Decidimos ir para o bolo de maçã e canela e para o clássico brigadeirão de chocolate.
Não são os melhores bolos do mundo, o de canela e maçã estava talvez um pouco seco demais e a "crosta" devia ser mais mole, tive alguma dificuldade em cortá-lo ao meio e quando acabei senti-me um pequeno Moisés que em vez de dividir o mar dividia bolo (close enough), já o de chocolate, bem, como já tinha dito noutras mensagens acabei por saturar um pouco de chocolatices mas há sempre espaço para doces e no final souberam-me muito bem os dois. Com sítios assim, a comida é apenas complemento para o espaço e boas companhias que nos rodeiam e no fim tudo se resume a uma experiência única.
Com paredes de vidro, quer estejamos na esplanada propriamente dita ou lá dentro, estamos sempre a ver o exterior e assim, entre garfadas, comentamos o olhar da criança que vemos do outro lado do café, o chinfrim dos putos atrás de nós e como já fomos jovens e despreocupadas, interrogamos sobre o que é que falam as pessoas que passeiam os seus cães (e sobre o que é que falam mesmo?) e como ter um amigo canino é uma boa maneira de engatar raparigas na rua. Assuntos pessoais, impessoais, animais, estou a divagar agora.
Enquanto estávamos a pagar a conta e a preparar-nos para sair reparei que, para além das caipirinhas que partiam alegremente para a mesa do lado, havia uma tabuleta intitulada Bar Rules que dizia o seguinte:
- 1. Bartender is always right
- 2. If bartender is wrong, see rule 1
Saímos directas para o jardim, partindo depois para o meio do Chiado e Bairro Alto, mas disso falar-vos-ei na próxima post.
À saída reparei noutra coisa, duas bicicletas azuis estavam encostadas à parede exterior da cafetaria, provavelmente de um cliente ou mesmo de um dos empregados, mais uma vez as transparências provam ser úteis, podemos beber uma bica e nunca perder de olho o nosso meio de transporte.
Lembrei-me também (esta é uma post cheia de referências) de uma espécie de witty sayings sobre casas de vidro que andavam para aí a passar na internet. Acho que o ditado original dizia People who live in glass houses shouldn't throw stones. Em português acho que a versão é "Quem tem telhados de vidro não atira pedras ao do vizinho", ou seja, ninguém deve criticar os outros por coisas em relação às quais o próprio não constitui um bom exemplo.
A frase depois acabou por ser adaptada para ter mais piada, tendo até direito a um comentário de uma personagem pela qual sinto um grande carinho e nem sei bem porquê, o senhor Demetri Martin, e aqui está o que ele disse:
A frase depois acabou por ser adaptada para ter mais piada, tendo até direito a um comentário de uma personagem pela qual sinto um grande carinho e nem sei bem porquê, o senhor Demetri Martin, e aqui está o que ele disse:
There's a saying that goes "People who live in glass houses shouldn't throw stones." Okay. How about "Nobody should throw stones." That's crappy behavior. My policy is: "No stone throwing regardless of housing situation." Don't do it. There is one exception though. If you're trapped in a glass house, and you have a stone, then throw it. What are you, an idiot? So maybe it's "Only people in glass houses should throw stones, provided they are trapped in the house with a stone." It's a little longer, but yeah.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Café da Dança/Mezzanine (2)
Podem encontrar a primeira post sobre este local aqui.
Não sei se deva necessariamente voltar a referir cafés por onde passei mas porque não? Conversas novas, novidades novas (redundâncias velhas), estou sempre a aprender, com os sítios, com as pessoas, hoje descobri que a papaia se come bem regada com limão e açúcar! Sempre achei este fruto demasiado amargo por si só e o evitei a todo o custo, mas estou disposta a experimentar esta variante, o que não estava nada amargo foi o sumo de goiaba que pedi, cremoso, doce, fresco, perfeito em todos os sentidos, custa 1.80€ e foi bom para contrariar o velho galão (desculpa aí pá! Juro que não virei a casaca) e acabar a refeição em beleza.
Desta vez cheguei ao Mezzanine com a intenção de almoçar algo cozinhado e, por essa razão, combinei encontrar-me com a Carina às 13 horas, sabendo que essa é a hora a que chega a "senhora da cozinha", ou seja, a mulher do homem simpático que nos atendeu quando vim cá da última vez. E venha a salada de frango! Com ovo! Tudo cozido! Mas espera... Não há massa? Descobri a grande falha deste café: há sempre algo em falta, um problema qualquer que nos impede de fazer o pedido até ao fim. Mas estou confiante de que um dia serei atendida sem surpresas e sobressaltos! De qualquer dos modos a única coisa que não tolero é arrogância, de resto, acho que é escusado fazer tempestades em copos de água.
A salada era bastante diversificada e super organizada, com milho, cenoura, ovo, maçã, três tostinhas pequenas, frango, alface, tomate, um pouco de mostarda na borda e noz (que me pareceu mais amêndoa palitada), cada ingrediente no seu local. A meio da comezaina a podre da ventania levou-me o guardanapo pelas grades fora, acenei-lhe adeus enquanto tentava ver se tinha algum lenço enfiado no bolso do casaco. Não tinha.
As fotos no exterior ficaram pior do que estava à espera mas achei que era bom mostrar a varanda e aquilo que comi, a Carina pediu a mesma salada mas com atum, cada uma ficou a 4€. Estavam mesmo MUITO boas. A qualidade aqui não é inventada, ainda não comi nada que fosse mau neste local. E não se deixem chocar pelas cadeiras manhosas, não faz mesmo diferença, o sol compensa tudo.
Para pedir o sumo dirigi-me para o interior e lá fiquei para fugir às rajadas de vento, tenho de dizer que alimentação leve (no sentido literal) com este tempo corre o risco de ficar ainda mais leve quando os seus elementos começarem a ser levados prato fora, as folhas de alface são bastante aerodinâmicas e dão uns planadores espectaculares se a brisa lhes bater da maneira certa.
A propósito das pessoas que se queixam por tudo e por nada, lembrei-me de algo que vi há algum tempo, uma pequena participação de um dos meus stand-ups favoritos, o Louis CK, no programa do Conan O'Brien. Através de humor enuncia a mais verdadeira das verdades, Everything is Amazing and Nobody is Happy.
Não sei se deva necessariamente voltar a referir cafés por onde passei mas porque não? Conversas novas, novidades novas (redundâncias velhas), estou sempre a aprender, com os sítios, com as pessoas, hoje descobri que a papaia se come bem regada com limão e açúcar! Sempre achei este fruto demasiado amargo por si só e o evitei a todo o custo, mas estou disposta a experimentar esta variante, o que não estava nada amargo foi o sumo de goiaba que pedi, cremoso, doce, fresco, perfeito em todos os sentidos, custa 1.80€ e foi bom para contrariar o velho galão (desculpa aí pá! Juro que não virei a casaca) e acabar a refeição em beleza.
Desta vez cheguei ao Mezzanine com a intenção de almoçar algo cozinhado e, por essa razão, combinei encontrar-me com a Carina às 13 horas, sabendo que essa é a hora a que chega a "senhora da cozinha", ou seja, a mulher do homem simpático que nos atendeu quando vim cá da última vez. E venha a salada de frango! Com ovo! Tudo cozido! Mas espera... Não há massa? Descobri a grande falha deste café: há sempre algo em falta, um problema qualquer que nos impede de fazer o pedido até ao fim. Mas estou confiante de que um dia serei atendida sem surpresas e sobressaltos! De qualquer dos modos a única coisa que não tolero é arrogância, de resto, acho que é escusado fazer tempestades em copos de água.
A salada era bastante diversificada e super organizada, com milho, cenoura, ovo, maçã, três tostinhas pequenas, frango, alface, tomate, um pouco de mostarda na borda e noz (que me pareceu mais amêndoa palitada), cada ingrediente no seu local. A meio da comezaina a podre da ventania levou-me o guardanapo pelas grades fora, acenei-lhe adeus enquanto tentava ver se tinha algum lenço enfiado no bolso do casaco. Não tinha.
As fotos no exterior ficaram pior do que estava à espera mas achei que era bom mostrar a varanda e aquilo que comi, a Carina pediu a mesma salada mas com atum, cada uma ficou a 4€. Estavam mesmo MUITO boas. A qualidade aqui não é inventada, ainda não comi nada que fosse mau neste local. E não se deixem chocar pelas cadeiras manhosas, não faz mesmo diferença, o sol compensa tudo.
Para pedir o sumo dirigi-me para o interior e lá fiquei para fugir às rajadas de vento, tenho de dizer que alimentação leve (no sentido literal) com este tempo corre o risco de ficar ainda mais leve quando os seus elementos começarem a ser levados prato fora, as folhas de alface são bastante aerodinâmicas e dão uns planadores espectaculares se a brisa lhes bater da maneira certa.
A propósito das pessoas que se queixam por tudo e por nada, lembrei-me de algo que vi há algum tempo, uma pequena participação de um dos meus stand-ups favoritos, o Louis CK, no programa do Conan O'Brien. Através de humor enuncia a mais verdadeira das verdades, Everything is Amazing and Nobody is Happy.
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